O comércio eletrônico brasileiro deve movimentar R$ 13,34 bilhões durante a Black Friday 2025, segundo projeção divulgada pela Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOM) nesta segunda-feira, 14 de outubro.
O valor representa um crescimento de 14,7% em relação a 2024, quando o faturamento somou R$ 11,63 bilhões, conforme dados da consultoria Neotrust, especializada no monitoramento de vendas digitais no país.
De acordo com o Banco Central do Brasil, o aumento das compras online nos últimos anos tem relação direta com a digitalização do consumo, o avanço das carteiras virtuais e a expansão do Pix, que já representa mais de 35% das transações digitais no varejo (Relatório BC – Economia Bancária 2024).
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Crescimento em pedidos e ticket médio
A ABIACOM estima que o número de pedidos online chegue a 16,5 milhões, acima dos 15,75 milhões registrados em 2024. O ticket médio, valor médio gasto por pedido, deve subir de R$ 738 para R$ 808,50, um crescimento de 9,6%.
O incremento nas vendas é projetado em R$ 9,08 bilhões, superando os R$ 7,93 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. Segundo a associação, esse resultado é impulsionado pela combinação de descontos reais, maior confiança do consumidor e diversificação dos meios de pagamento.
Fernando Mansano, presidente da ABIACOM, afirmou que a data é cada vez mais vista como uma oportunidade estratégica para consumidores e lojistas.
“O consumidor está mais atento às promoções e usa a Black Friday para antecipar as compras de Natal, garantindo economia e conveniência. Para os lojistas, é o momento de aumentar o faturamento e fortalecer o relacionamento com os clientes”, destacou Mansano em comunicado à imprensa.
Segmentos em destaque
Os setores com maior volume de vendas, segundo o levantamento da ABIACOM, devem ser eletrônicos, moda, beleza, brinquedos e eletrodomésticos. Na Black Friday 2024, os eletrônicos representaram 32% das compras online, enquanto os produtos de moda e beleza somaram 27% do total.
A consultoria ainda aponta que os pagamentos via Pix tiveram um salto expressivo, passando de R$ 1,9 bilhão em 2023 para R$ 3,2 bilhões em 2024. A tendência é que o método continue em expansão, especialmente entre consumidores de menor renda, por não envolver taxas bancárias e permitir o pagamento instantâneo.
Para 2025, a ABIACOM recomenda que os varejistas invistam em campanhas antecipadas, promoções personalizadas e experiências de compra mais ágeis no ambiente mobile.
Outro ponto destacado é o pós-venda, que se tornou um diferencial competitivo para fidelizar consumidores em um mercado cada vez mais digital.
Planejamento e relevância estratégica
A entidade também destacou que a Black Friday deixou de ser apenas uma data promocional isolada e passou a influenciar todo o desempenho do varejo digital no quarto trimestre.
Segundo levantamento da Câmara Brasileira da Economia Digital, as vendas de novembro já representam quase 25% do faturamento anual de muitos comércios eletrônicos de médio porte.
“A Black Friday deixou de ser apenas um dia de descontos e se transformou em um marco estratégico do varejo digital. As empresas que se planejarem bem terão a chance de ampliar vendas e conquistar novos consumidores”, informou Mansano.
O comportamento do consumidor também mudou. Dados do Google Trends mostram que as buscas por “ofertas Black Friday” cresceram 22% em setembro de 2025, indicando uma preparação mais antecipada por parte dos brasileiros.
Entre as plataformas mais utilizadas, Mercado Livre, Amazon, Magalu e Shopee seguem como líderes de tráfego, segundo o ranking da SimilarWeb, com crescimento médio de 12% nas visitas durante o período promocional de 2024.
Expectativa para o comércio e a economia
Para o varejo físico, a expectativa é de aumento nas vendas, mas em ritmo menor que o digital. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), as lojas físicas devem movimentar R$ 4,7 bilhões em 2025, um avanço de 5,1% frente ao ano passado.
O economista Fabio Bentes, da CNC, explica em entrevista ao Ecommerce Brasil, que o cenário de inflação controlada e juros em queda pode favorecer as compras de fim de ano, embora o endividamento das famílias ainda pese sobre o orçamento. Em agosto de 2025, o endividamento das famílias brasileiras alcançou 77,4%, conforme o levantamento Peic/CNC, o que reforça o comportamento de busca por descontos e planejamento antecipado.
Com o e-commerce consolidado e a confiança do consumidor em alta, o período da Black Friday deve continuar sendo um dos mais relevantes para a economia digital brasileira, refletindo tanto nas empresas quanto nas finanças pessoais.


