O governo federal estuda um empréstimo de R$ 20 bilhões para ajudar os Correios, empresa responsável pela entrega de cartas e encomendas em todo o Brasil. O dinheiro deve vir do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e também de bancos privados, com garantia do Tesouro Nacional, o órgão do governo que cuida das contas públicas.

A ideia é conseguir R$ 10 bilhões em 2025 e mais R$ 10 bilhões em 2026. Esse dinheiro serviria para pagar dívidas, reforçar o caixa e bancar mudanças dentro da empresa, como programas de demissão voluntária, ajustes no plano de saúde dos funcionários e renegociação de contas atrasadas.
Correios enfrentam crise financeira e aumento das perdas
Os números mostram que a situação dos Correios é grave. Só no primeiro semestre de 2025, a estatal teve prejuízo de R$ 4,37 bilhões, mais de três vezes o que perdeu no mesmo período do ano passado, que foi R$ 1,35 bilhão.
Entre abril e junho, o resultado negativo foi de R$ 2,64 bilhões, quase cinco vezes maior que o de 2024. Os custos da empresa também são altos, com variação de R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões por ano, enquanto as receitas vêm caindo devido à redução no envio de cartas e documentos em papel.
Além disso, ações judiciais e dívidas trabalhistas aumentaram os gastos. O problema não é recente, os Correios vêm acumulando prejuízos desde 2022, quando perderam R$ 767 milhões. Em 2023, o resultado negativo foi de R$ 596 milhões, e em 2024 subiu para R$ 2,59 bilhões.
A equipe econômica teme que, se a situação piorar, os Correios passem a depender diretamente do dinheiro do governo para funcionar. Isso colocaria a empresa dentro do Orçamento da União, o que aumentaria os gastos públicos e reduziria o dinheiro disponível para outras áreas, como saúde e educação.
Por isso, o empréstimo é visto como uma forma de ganhar tempo e reorganizar as contas da estatal. O Tesouro serviria como garantia, oferecendo segurança aos bancos que vão emprestar o dinheiro.
Plano inclui corte de gastos, venda de imóveis e novas fontes de renda
Para tentar equilibrar as contas, a direção dos Correios prepara mudanças internas e redução de despesas. Está em estudo um plano de demissão voluntária, para diminuir o número de funcionários, e a venda de imóveis que não são mais usados pela empresa.
Outra parte do plano é aumentar as receitas. Uma das apostas é a criação de um marketplace, uma espécie de shopping virtual, em parceria com a empresa Infracommerce. O objetivo é aproveitar a estrutura dos Correios para disputar espaço com plataformas de comércio eletrônico já conhecidas, como Shopee e Mercado Livre.
A expectativa do governo é que, com essas medidas, os Correios consigam reduzir custos em 2025 e 2026 e passem a economizar de forma estável a partir de 2027, o que abriria espaço para novos investimentos.
Novo presidente tenta colocar a casa em ordem
Em setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva trocou o comando da empresa. Saiu o advogado Fabiano Silva e entrou Emmanoel Schmidt Rondon, economista e funcionário de carreira do Banco do Brasil.
Rondon foi escolhido por ter perfil técnico e experiência em gestão. Assim que assumiu, teve de lidar com uma crise imediata: renegociar um empréstimo de R$ 1,8 bilhão que os Correios haviam feito com BTG Pactual, Citibank e ABC Brasil.
Esse contrato tinha regras rígidas que, se descumpridas, poderiam levar à cobrança imediata da dívida. Quando os custos com ações judiciais aumentaram, os bancos bloquearam parte do dinheiro da estatal, o que quase impediu o pagamento dos salários.
Após negociação, as partes chegaram a um novo acordo, com juros mais altos, mas prazos melhores. A primeira parcela será paga em janeiro de 2026.
Conselho dos Correios analisa o pedido nesta semana
O Conselho de Administração dos Correios se reúne nesta quarta-feira, 15 de outubro, para avaliar o pedido de empréstimo. A reunião será presidida por Sônia Faustino, secretária-executiva do Ministério das Comunicações, que também é responsável pelo colegiado.
O governo aposta que, com a entrada dos recursos e as medidas de economia, os Correios consigam voltar ao lucro nos próximos anos. O grande desafio é equilibrar as contas sem prejudicar o serviço postal, que continua sendo essencial para milhões de brasileiros, especialmente nas regiões onde empresas privadas de entrega não atuam.
