Mesmo com a redução de 4,9% anunciada pela Petrobras na semana passada, os consumidores ainda não sentiram alívio no preço dos combustíveis. Segundo levantamento da ValeCard, o preço médio da gasolina subiu 0,22% em outubro, passando de R$ 6,374 em setembro para R$ 6,388.
O etanol também apresentou elevação, com alta de 0,29%, e fechou o mês a R$ 4,455 por litro. Já o diesel S-10 teve leve queda de 0,10%, sendo vendido a R$ 6,292 em média.
A pesquisa foi realizada entre 1º e 26 de outubro em mais de 25 mil postos em todo o país, com base nas transações realizadas por meio do sistema de pagamento eletrônico da ValeCard.
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Diferenças regionais e variação entre estados
O levantamento mostra variações significativas entre os estados. A Paraíba registrou o menor preço médio do litro da gasolina no país, R$ 6,148, após uma redução de 0,47% entre setembro e outubro.
Já São Paulo, que historicamente lidera o ranking de gasolina mais barata, teve leve alta de 0,03%, passando de R$ 6,172 para R$ 6,174.
No caso do etanol, 12 estados registraram aumento no preço. O Espírito Santo apresentou a segunda maior alta percentual, +4,95%, com o valor do litro subindo de R$ 4,710 em setembro para R$ 4,943 em outubro. Mesmo com aumento, São Paulo manteve o menor preço médio nacional, R$ 4,199.
Para o diesel, os estados da região Sul apresentaram reduções pelo segundo mês consecutivo. O Rio Grande do Sul teve o menor preço médio do país, R$ 5,961, após queda de 1,68% em relação ao mês anterior. Em contrapartida, o Acre registrou o litro mais caro, R$ 7,424, seguido de Roraima, com R$ 7,043.
Especialistas explicam por que o corte não chegou às bombas
De acordo com Marcelo Braga, diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard, a queda anunciada pela Petrobras ainda não foi integralmente repassada aos consumidores. Isso ocorre porque os postos dependem do ritmo de compra das distribuidoras, o que atrasa o repasse.
“A redução costuma chegar aos motoristas de forma gradual, à medida que os postos renovam seus estoques. Além disso, cerca de 30% da composição da gasolina é de etanol anidro, e fatores como impostos estaduais, margens de lucro e custos de transporte também influenciam o preço final”, explicou Braga em entrevista ao InfoMoney.
Atualmente, o etanol representa 30% da mistura da gasolina vendida nos postos. Com a oscilação dos preços desse insumo e variações tributárias, o impacto total de uma redução feita pela Petrobras pode levar semanas para refletir no bolso dos motoristas.
Etanol ainda é vantajoso em alguns estados
A ValeCard reforça que o etanol só é financeiramente vantajoso se o litro custar até 70% do preço da gasolina, considerando o menor rendimento energético do combustível renovável.
Com base nesse critério, o uso do etanol compensou financeiramente em sete estados durante outubro: Acre, Amapá, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Roraima e São Paulo.
Em São Paulo, onde o preço médio do etanol ficou em R$ 4,199 e o da gasolina em R$ 6,174, a relação foi de 68%, o que mantém o biocombustível como opção mais econômica para motoristas flex.
O impacto para as famílias brasileiras
Considerando o preço médio nacional da gasolina, R$ 6,388, encher um tanque de 50 litros custa cerca de R$ 319,40. Para o etanol, o gasto médio é de R$ 222,75.
Com o salário mínimo de R$ 1.550 em 2025, o custo de um tanque de gasolina representa 20,6% da renda mensal de um trabalhador que depende do carro para se deslocar. Esse impacto é ainda maior para motoristas de aplicativo, que precisam abastecer com frequência e enfrentam aumento de custos operacionais.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o transporte representa 18% do orçamento médio das famílias brasileiras de menor renda, o que reforça a sensibilidade desse grupo às variações de preço dos combustíveis.
Perspectivas para o mercado de combustíveis
Economistas apontam que, embora o corte anunciado pela Petrobras tenha sido o primeiro desde julho, a manutenção de preços elevados nos postos deve continuar até o fim do ano, devido à volatilidade do mercado internacional do petróleo e à cotação do dólar.
O barril do Brent, referência global, oscilou entre US$ 84 e US$ 87 (R$ 472 a R$ 489) ao longo de outubro, influenciando diretamente os custos de importação e de produção de derivados.
Enquanto isso, distribuidoras e revendedores aguardam novas sinalizações da Petrobras e da Agência Nacional do Petróleo (ANP) sobre ajustes futuros.


