O preço dos imóveis residenciais ficou mais caro em outubro e voltou a superar a inflação. Segundo o Índice FipeZap, divulgado nesta terça-feira, 4 de novembro, o valor médio de venda subiu 0,54% no mês. No mesmo período, o IGP-M, usado para reajustar muitos contratos de aluguel, caiu 0,36%, e o IPCA-15, prévia da inflação oficial, avançou 0,18%. Na prática, enquanto o custo de vida ficou praticamente estável, o preço dos imóveis continuou subindo.
O avanço também aparece no acumulado do ano. Entre janeiro e outubro, os imóveis residenciais registraram alta de 5,61% no país, acima da inflação ao consumidor, de 3,83% no mesmo período.

Valorização se espalha pelo país
O levantamento mostra que a alta foi praticamente nacional: 52 das 56 cidades pesquisadas registraram aumento em outubro, incluindo 20 das 22 capitais. Curitiba liderou o mês, com alta de 1,21%, seguida por Belo Horizonte (1,17%) e Maceió (0,90%). Em Teresina, São Luís e Fortaleza, os preços avançaram 0,88% cada.
Mesmo em mercados maiores e mais caros, os preços continuaram subindo. São Paulo teve alta de 0,45% e Rio de Janeiro, 0,40%. Somente duas capitais tiveram recuo: Vitória e Campo Grande, ambas com queda de 0,14%.
O preço médio nacional chegou a R$ 9.529 por metro quadrado. Isso significa que um imóvel de 50 m² custou, em média, cerca de R$ 476 mil em outubro. Entre as capitais, Vitória aparece como a mais cara do país, com R$ 14.122/m², seguida por Florianópolis (R$ 12.618/m²) e São Paulo (R$ 11.833/m²).
O que significa a inflação estar menor que o preço dos imóveis?
Inflação é o aumento geral dos preços. Quando ela sobe, produtos, serviços e contas do dia a dia ficam mais caros. Em outubro, o preço dos imóveis subiu mais rápido do que os demais preços da economia. Isso indica que, mesmo com juros altos e crédito mais difícil, a procura por imóveis continua firme.
O índice também mostrou que imóveis menores, especialmente os de um dormitório, tiveram a maior valorização nos últimos 12 meses, com alta de 7,8%. São unidades procuradas por investidores e por quem busca alternativas mais baratas. Já imóveis grandes, com quatro quartos ou mais, subiram 5,57%, ritmo menor porque são mais caros de comprar e manter.
Capitais acumulam fortes altas no ano
No acumulado de janeiro a outubro, todas as 56 cidades monitoradas tiveram aumento. Vitória lidera com 15,07%, uma valorização até maior que a Selic, a taxa básica de juros atualmente em 15% ao ano. Depois aparecem Salvador (13,77%), João Pessoa (13,49%) e São Luís (12,32%). Em São Paulo e Rio de Janeiro, a valorização foi mais moderada, de 3,97% e 4,40%.
Esse movimento indica uma mudança no mapa imobiliário: cidades médias e capitais do Nordeste ganharam força, impulsionadas por turismo, expansão de novas áreas e busca por imóveis em regiões com custo de vida mais baixo.
Por que os imóveis continuam subindo?
Mesmo com juros altos, o mercado não perdeu ritmo. Especialistas apontam que muita gente está tratando o imóvel como proteção financeira. Em momentos de incerteza, parte dos compradores prefere investir em bens que não perdem valor com o tempo. Esse comportamento é conhecido como “reserva de valor”: um ativo que tende a manter ou aumentar o preço, mesmo quando outros investimentos rendem pouco.
O emprego e a renda também ajudaram. Com mais gente trabalhando e ganhando melhor, houve aumento de compradores e investidores. Isso sustenta os preços, mesmo com crédito mais caro.


