O Banco Central informou que 48,7 milhões de brasileiros ainda têm dinheiro esquecido em instituições financeiras, totalizando R$ 9,92 bilhões disponíveis para saque no Sistema de Valores a Receber (SVR), segundo os dados divulgados nesta terça-feira, 9 de dezembro.
A plataforma, criada para devolver recursos mantidos por bancos, cooperativas, consórcios e demais instituições, registra aumento no número de beneficiários, embora o montante acumulado tenha diminuído em relação aos meses anteriores.

O sistema registrou mais usuários com direito a ressarcimento tanto entre indivíduos quanto entre empresas, reforçando que muitos ainda não consultaram o próprio CPF ou CNPJ desde a última atualização de dados enviada pelas instituições financeiras.
Valores são baixos para a maioria, mas atingem milhões de pessoas
Segundo o Banco Central, grande parte dos beneficiários possui quantias reduzidas. Aproximadamente 65% têm valores de até R$ 10, enquanto 23% podem receber até R$ 100. Cerca de 10% possuem entre R$ 100 e R$ 1 mil, e apenas 1,8% têm quantias acima desse patamar. O cenário é semelhante entre empresas, que somam 4,9 milhões de beneficiárias.
Do total disponível no SVR, R$ 7,73 bilhões pertencem a pessoas físicas e R$ 2,19 bilhões a pessoas jurídicas. Desde que o sistema entrou em operação, já foram devolvidos R$ 12,6 bilhões, sendo R$ 9,29 bilhões repassados a indivíduos e R$ 3,31 bilhões a empresas.
Os valores ainda guardados estão distribuídos principalmente no sistema bancário, com cerca de R$ 6 bilhões retidos em bancos. O restante se reparte entre administradoras de consórcio (R$ 2,5 bilhões), cooperativas de crédito (R$ 866 milhões), instituições de pagamento (R$ 327 milhões), financeiras (R$ 202 milhões) e corretoras e distribuidoras (R$ 8 milhões). Há ainda R$ 33 milhões em outras modalidades de instituições.
Resgates continuam, mas parcela expressiva dos usuários ainda não consultou o sistema
Apesar da redução gradual do saldo total, milhões de clientes seguem sem conferir se têm algum valor disponível. Em outubro, foram sacados R$ 388 milhões, mas o número de beneficiários não para de crescer, indicando que há muitas pessoas que nunca acessaram o SVR ou que ainda não concluíram o processo de retirada.
Os valores ficam armazenados até que o solicitante decida resgatá-los. Isso inclui saldos esquecidos em contas já encerradas, cobranças indevidas, cotas de cooperativas, valores não procurados de consórcios e quantias associadas a operações de crédito que não foram devolvidas de forma automática.
Sistema ficou mais simples para pessoas físicas com a opção de resgate automático
Desde o início do ano, o processo de retirada para indivíduos ganhou uma etapa opcional que permite recebimento automático. Quem tem chave Pix cadastrada com o CPF pode habilitar a função diretamente dentro do SVR. Ao ativá-la, o valor é enviado pela instituição financeira assim que estiver disponível, sem necessidade de solicitação manual.
A ativação exige login com conta Gov.br de nível prata ou ouro, além da verificação em duas etapas. Essa mudança busca reduzir etapas e facilitar o acesso para quem tem valores pequenos, já que a maioria dos beneficiários está nessa faixa.
Empresas, contas conjuntas e instituições financeiras que ainda não aderiram ao modelo de devolução via Pix continuam dependentes do procedimento tradicional, em que o usuário precisa solicitar cada resgate separadamente.
No caso de valores pertencentes a pessoas falecidas, o acesso é restrito. Apenas herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais podem consultar e resgatar os recursos. Após o preenchimento do termo de responsabilidade, a consulta é realizada com a conta Gov.br do responsável, mediante inclusão dos dados da pessoa que morreu.
Saldo diminui, mas o número de beneficiários aumenta a cada atualização
O total disponível no sistema vem oscilando nos últimos meses. No início do período-base de outubro, havia R$ 9,9 bilhões, cifra inferior aos R$ 10,4 bilhões registrados em agosto e aos R$ 10,7 bilhões observados em julho. Essa queda está ligada aos resgates contínuos feitos pelos usuários.
O aumento no número de pessoas com valores a receber decorre da atualização periódica das informações fornecidas pelas instituições ao Banco Central, que passam a integrar o sistema à medida que novos dados são enviados. Por isso, mesmo com o saldo diminuindo, o total de beneficiários cresce conforme mais registros antigos são processados.
Sistema reúne vários tipos de valores esquecidos ao longo dos anos
O SVR concentra recursos deixados para trás por motivos variados, como contas de poupança e conta-corrente encerradas com saldo, tarifas cobradas de forma indevida, despesas de empréstimos, valores remanescentes de consórcios e contas de pagamento com quantias não movimentadas.
Esses valores não desaparecem. Permanecem retidos até que o cliente acesse o sistema, faça a consulta e solicite o repasse. Não há prazo para retirada e não existe cobrança para acessar os recursos.


