Fiscal em foco e mudanças no Imposto de Renda
A área fiscal esteve no centro do debate econômico. Foi aprovada a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, beneficiando cerca de 16 milhões de brasileiros a partir de janeiro de 2026. A renúncia fiscal estimada é de R$ 31,2 bilhões por ano.
Para compensar, o governo aprovou tributação mínima progressiva para rendas acima de R$ 50 mil mensais, ou R$ 600 mil ao ano, com alíquotas de 2,5% a 10% para rendas superiores a R$ 1,2 milhão anuais.
Fraude no INSS e impacto previdenciário
Uma operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União revelou um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Entre 2019 e 2024, cerca de R$ 53,5 milhões circularam entre associações e empresas suspeitas, com R$ 9,3 milhões repassados a servidores. O então presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) foi afastado, e novas prisões ocorreram ao longo do ano.
Ataque hacker ao Pix
Em julho, a C&M Software sofreu um ataque que desviou ao menos R$ 800 milhões do sistema Pix. Seis instituições financeiras foram afetadas. O episódio reacendeu debates sobre segurança digital em um sistema utilizado diariamente por milhões de brasileiros, especialmente das classes C e D.
Selic no maior nível desde 2006
Após sete altas consecutivas, o Banco Central (BC) elevou a taxa Selic a 15% ao ano, o maior patamar desde 2006. O nível elevado dos juros encareceu empréstimos, financiamentos e cartões de crédito, afetando diretamente o consumo das famílias.
Escândalos financeiros e empresariais
Diversos casos de grande impacto marcaram o ano. Uma investigação apontou que postos ligados ao crime organizado movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, com sonegação estimada em R$ 7 bilhões. No setor empresarial, a Ambipar entrou em recuperação judicial com dívidas de R$ 11 bilhões.
A situação da Oi voltou a se agravar, com falência decretada e posteriormente suspensa. Já o Banco Master teve liquidação judicial após suspeitas de fraudes envolvendo R$ 12,2 bilhões em ativos fictícios, resultando no maior acionamento da história do Fundo Garantidor de Créditos, com cerca de R$ 60 bilhões em depósitos cobertos.
Correios e crise financeira
Os Correios acumularam prejuízo de R$ 6 bilhões até setembro de 2025. A estatal chegou a negociar um empréstimo de R$ 20 bilhões, com garantia do Tesouro Nacional, mas suspendeu a operação diante do custo financeiro elevado.


