Os brasileiros começaram 2026 retirando mais dinheiro da caderneta de poupança do que depositando. Segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC), o saldo da poupança ficou negativo em R$ 23,512 bilhões em janeiro, mantendo um comportamento que já é comum no primeiro mês do ano.
Apesar de elevado, o resultado foi menos negativo do que o registrado em janeiro de 2025, quando a saída líquida chegou a R$ 26,226 bilhões.
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Depósitos não compensaram retiradas dos brasileiros
O saldo negativo foi resultado de R$ 331,235 bilhões em depósitos contra R$ 354,747 bilhões em retiradas ao longo do mês. Na prática, isso significa que as famílias usaram a poupança para cobrir despesas típicas do início do ano, como impostos, material escolar, mensalidades e contas acumuladas.
Esse movimento costuma se repetir todos os anos em janeiro, quando o orçamento das famílias fica mais apertado.
Poupança já acumula anos de saída de recursos
O desempenho de janeiro reforça uma tendência mais longa. Em todo o ano de 2025, a poupança teve uma saída líquida de R$ 85,568 bilhões, o terceiro pior resultado da série histórica. O número só ficou atrás de:
- 2023, com retirada líquida de R$ 87,819 bilhões
- 2022, quando os saques superaram R$ 103 bilhões
A perda contínua de recursos mostra que muitos brasileiros têm buscado outras formas de guardar dinheiro, especialmente aplicações de renda fixa que oferecem rendimento maior.
Estoque chegou a cair abaixo de R$ 1 trilhão
Com as retiradas de janeiro, o estoque total da poupança encerrou o mês em R$ 1,005 trilhão. Durante a última semana do mês, entre os dias 26 e 29 de janeiro, o saldo chegou a ficar abaixo de R$ 1 trilhão, algo simbólico para o mercado financeiro.
A recuperação para o patamar trilionário ocorreu apenas no dia 30, quando houve saldo positivo nas aplicações.
Financiamento imobiliário também foi afetado
Dentro da poupança, o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), principal fonte de recursos para o financiamento imobiliário no país, também registrou resultado negativo.
Em janeiro, o SBPE teve retirada líquida de R$ 18,807 bilhões. Já a modalidade rural da poupança apresentou saída líquida de R$ 4,705 bilhões no mesmo período.
Esses números indicam que a redução do saldo da poupança pode impactar, no médio prazo, a oferta de crédito imobiliário, já que parte desses recursos é usada pelos bancos para financiar imóveis.
O que explica a perda de atratividade da poupança?
A principal razão para a saída de recursos é o baixo rendimento da poupança em comparação a outras aplicações conservadoras. Com os juros básicos ainda elevados, produtos como Certificado de Depósito Bancário (CDBs) é um título de renda fixa emitido por bancos para captar recursos, Tesouro Direto e fundos de renda fixa passaram a oferecer retornos maiores, mesmo com baixo risco.
Para o pequeno investidor, isso significa que manter todo o dinheiro na poupança pode representar perda de rendimento ao longo do tempo, especialmente em períodos de juros altos.
Impacto direto no bolso do brasileiro
Na prática, o aumento dos saques em janeiro mostra que muitas famílias ainda usam a poupança como uma reserva para emergências e despesas sazonais. Ao mesmo tempo, o movimento reforça a mudança de comportamento de quem consegue poupar, buscando alternativas mais rentáveis para fazer o dinheiro render.


