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Inflação tem maior alta para um primeiro semestre em quatro anos; veja o que mais pesou no bolso

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A inflação voltou a acelerar no Brasil e terminou o primeiro semestre de 2026 com alta acumulada de 3,36%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 10 de julho, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O aumento dos preços foi puxado principalmente pelos alimentos e pelos combustíveis, que continuaram pesando no orçamento das famílias.

Inflação tem maior alta para um primeiro semestre
Esse foi o maior resultado para o período de janeiro a junho desde 2022, quando a inflação acumulada chegou a 5,49% no primeiro semestre | Foto: Reprodução / Canva

Isso tornou mais caro comprar alimentos, abastecer o carro e pagar por outros produtos e serviços nos primeiros seis meses do ano.

Alimentos lideraram a alta dos preços

Entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, alimentação e bebidas foi o que mais contribuiu para o avanço da inflação. Os preços desse grupo acumularam alta de 4,56% entre janeiro e junho e responderam por 0,98 ponto percentual do IPCA, índice oficial que mede a inflação do país.

Segundo o IBGE, parte desse aumento costuma acontecer no início do ano, quando alguns alimentos ficam mais caros devido à menor oferta. Em 2026, porém, houve um fator extra que pressionou os preços: a guerra entre Irã e Estados Unidos. O conflito provocou uma forte alta nas cotações internacionais do petróleo. Com isso, os combustíveis ficaram mais caros no Brasil, elevando também os custos do transporte de mercadorias.

Como grande parte dos alimentos chega aos supermercados por caminhões, o aumento das despesas com frete acabou sendo repassado ao consumidor.

Tomate, carnes e gasolina ficaram entre os maiores aumentos

Nos supermercados, o tomate foi o alimento que mais chamou a atenção, acumulando alta de 82,41% no primeiro semestre e foi um dos principais responsáveis pelo avanço da inflação. As carnes também ficaram mais caras, com aumento de 5,6% no período.

O IBGE ainda observou que a inflação dos alimentos foi mais intensa em março, abril e maio deste ano do que nos mesmos meses de 2025. A guerra no Irã começou em 28 de fevereiro, período em que o petróleo passou por forte valorização.

Quando o levantamento analisa cada produto e serviço separadamente, a gasolina aparece como o item que mais pressionou a inflação no semestre, com alta de 6,37% entre janeiro e junho.

Já o óleo diesel, usado principalmente no transporte de cargas, ficou 15,68% mais caro. Como praticamente todos os produtos passam pelo transporte rodoviário antes de chegar ao comércio, esse aumento influencia os preços de diversos itens consumidos pelas famílias.

Café ficou mais barato e ajudou a reduzir parte da inflação

Apesar da alta de muitos produtos, o café moído ficou 11,49% mais barato no primeiro semestre graças às melhores condições da safra, segundo o IBGE. Foi a principal queda registrada no período e ajudou a reduzir parte da pressão sobre a inflação.

Ainda assim, o recuo no preço do café não foi suficiente para compensar os aumentos registrados em alimentos importantes, como tomate e carnes, além da alta dos combustíveis.

Maior resultado do atual governo para o período

O acumulado de 3,36% também representa a maior inflação para um primeiro semestre desde o início do atual governo. O último resultado superior foi registrado em 2022.

Os dados do IBGE mostram que, neste ano, a combinação entre alimentos mais caros e combustíveis em alta teve impacto direto no custo de vida dos brasileiros, fazendo com que o primeiro semestre registrasse a maior inflação para o período dos últimos quatro anos.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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