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Crédito do Trabalhador: 74% dos usuários acumulam dois ou mais empréstimos, aponta Serasa

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Levantamento da Serasa Experian acende um alerta para quem aderiu ao Crédito do Trabalhador, modalidade de empréstimo consignado para trabalhadores da iniciativa privada. Segundo o estudo, 74% dos consumidores que contrataram essa linha de crédito já acumulam dois ou mais empréstimos ativos, enquanto mais da metade (54,6%) fez operações em bancos diferentes.

Crédito do Trabalhador: 74% dos usuários acumulam dois ou mais empréstimos
Apesar de oferecer acesso facilitado ao crédito, a modalidade pode levar parte dos trabalhadores ao endividamento quando não há planejamento financeiro | Foto: Reprodução / Canva

Em muitos casos, o segundo contrato foi fechado em condições menos vantajosas do que o primeiro, aumentando o custo da dívida.

Criado em março de 2025, o Crédito do Trabalhador permite que empregados com carteira assinada comprometam até 35% do salário bruto com parcelas descontadas diretamente na folha de pagamento. Além disso, o trabalhador pode manter contratos com diferentes instituições financeiras, o que amplia as possibilidades de contratação, mas também exige maior controle das finanças.

Estudo mostra aumento no número de contratos

Para chegar aos resultados, a Serasa Experian analisou 191.798 contratos de Crédito do Trabalhador, vinculados a 88 empresas e realizados até abril de 2026. O levantamento considerou operações feitas por 61 instituições financeiras.

Entre os trabalhadores que contrataram a modalidade, 74% tinham dois ou mais empréstimos consignados privados ativos ao mesmo tempo. Dentro desse grupo, 54,6% recorreram a bancos diferentes, o que indica que muitos consumidores buscaram novas linhas de crédito em outras instituições, em vez de concentrar a dívida em um único banco.

Outro dado que chamou atenção foi o aumento do custo dos financiamentos. De acordo com a pesquisa, 29% dos trabalhadores que contrataram um segundo empréstimo aceitaram pagar juros maiores do que os cobrados na primeira operação.

Empréstimos de menor valor concentram maior número de contratos

A pesquisa também revelou que o Crédito do Trabalhador foi utilizado principalmente para empréstimos de valores menores. Segundo o levantamento, 44% de todos os contratos foram de até R$ 1.500. Justamente nessa faixa, a taxa média de juros foi 7% maior do que a observada em operações anteriores de valores mais altos e prazos mais longos.

Isso indica que empréstimos menores nem sempre significam crédito mais barato. Pelo contrário: em muitos casos, o custo mensal acaba sendo mais elevado.

Já os contratos acima de R$ 20 mil representaram apenas 1,9% das operações, mas apresentaram juros médios menores e prazos de pagamento mais extensos.

Perfil dos trabalhadores preocupa

O estudo também analisou o perfil financeiro de quem aderiu ao Crédito do Trabalhador. Entre os consumidores avaliados, 68% tiveram entre duas e cinco consultas ao CPF nos seis meses anteriores à contratação. Esse tipo de consulta costuma ocorrer quando bancos ou financeiras analisam pedidos de crédito.

Além disso, 69% dos trabalhadores já possuíam algum tipo de restrição financeira, como contas em atraso ou dívidas registradas nos órgãos de proteção ao crédito.

Embora esses dados não signifiquem, por si só, que o empréstimo tenha agravado a situação financeira dessas pessoas, eles mostram que grande parte dos usuários da modalidade já enfrentava dificuldades para organizar as contas antes da contratação.

O consignado deve ser utilizado apenas quando houver necessidade e planejamento, já que as parcelas são descontadas diretamente do salário. Antes de contratar um novo empréstimo, também é recomendado comparar taxas de juros, avaliar o impacto das parcelas no orçamento e verificar se realmente há necessidade de assumir uma nova dívida.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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