Juros altos ainda pressionam as empresas
Embora a Selic tenha iniciado um ciclo de cortes, as condições para conseguir crédito continuam restritivas e os juros permanecem elevados em termos históricos, dificultando a reorganização das contas de empresas que dependem de empréstimos ou de outras formas de financiamento para manter o funcionamento.
Segundo Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, a atividade econômica também começa a mostrar uma desaceleração mais evidente, o que pode reduzir o ritmo de geração de receitas justamente quando parte das companhias ainda tenta reorganizar suas dívidas e recuperar o fluxo de caixa.
Nesse ambiente, o custo para manter compromissos financeiros pode continuar pesando sobre o orçamento, principalmente aquelas que precisam de capital de giro para pagar fornecedores, funcionários e outras despesas enquanto aguardam o recebimento das vendas.
A própria composição das dívidas indica esse cenário. Serviços responderam por 31,6% dos compromissos em atraso, seguidos por bancos e cartões, com 19,5%. Na sequência apareceram cooperativas, com 8,4%, utilities, que incluem serviços como energia e água, com 6,9%, e telefonia, com 6%.
Para a Serasa Experian, parte das empresas continua recorrendo ao crédito para sustentar as atividades do dia a dia, e não necessariamente para ampliar os negócios. Com condições financeiras mais apertadas, reorganizar esses pagamentos pode se tornar mais difícil.


