Recuperação judicial cresce em meio a crédito restrito
O Indicador de Falências e Recuperações Judiciais da Serasa Experian registrou 60 processos de recuperação judicial em abril de 2026, envolvendo 141 CNPJs. Apesar da queda em relação a março, quando foram registrados 82 processos e 184 empresas envolvidas, a situação ainda exige atenção.
Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a queda nos pedidos de abril deve ser vista com cautela, já que as empresas ainda enfrentam juros altos, crédito restrito e desaceleração da atividade econômica. Muitas também seguem tentando recompor o caixa e reorganizar dívidas acumuladas nos últimos anos, mantendo o cenário de insolvência sob pressão.
Essa recomposição de caixa é a tentativa de recuperar dinheiro disponível para manter as contas do negócio em dia, enquanto o equacionamento de passivos envolve reorganizar as dívidas acumuladas.
Para Guilherme, porém, os juros não devem ser tratados como causa isolada dos pedidos de recuperação judicial.
“Os juros são um importante fator agravante, principalmente para empresas que já estavam endividadas ou com margens apertadas. Gestão, queda de vendas, estrutura de custos, endividamento excessivo e problemas específicos de cada setor também precisam ser considerados.”
O efeito pode aparecer em cadeia. “Na prática, isso pode gerar uma sequência: a despesa financeira aumenta → sobra menos caixa → a empresa reduz investimentos e estoques → começa a alongar pagamentos a fornecedores → encontra mais dificuldade para obter crédito → pode atrasar impostos, fornecedores ou financiamentos.”


