Dívida maior também dificulta renegociação
O problema se torna ainda mais complexo quando a empresa já acumula dívidas. Um financiamento mais caro não afeta apenas novos empréstimos, mas também pode elevar o custo para renovar ou refinanciar compromissos existentes.
Guilherme explica que, quando uma empresa passa a ser vista como mais arriscada pelos bancos, pode enfrentar condições ainda mais caras. “A empresa que mais precisa de crédito pode justamente ser aquela que recebe as condições mais caras.”
Esse processo pode formar um círculo difícil: juros altos aumentam a despesa financeira, reduzem a geração de caixa e pioram a percepção de risco. Com isso, o crédito pode ficar mais caro ou restrito, dificultando ainda mais o pagamento e o refinanciamento das dívidas.
Nesse ponto, a renegociação pode ir além da busca por juros menores e envolver alongamento dos vencimentos, períodos de carência, venda de ativos, entrada de capital dos sócios, desconto da dívida ou recuperação extrajudicial ou judicial.
O cenário também aparece nos dados de inadimplência. Em junho, o Brasil tinha 83,7 milhões de consumidores inadimplentes, com 234 mil novos registros no mês. Cada consumidor nessa situação acumulava, em média, cerca de quatro dívidas, que somavam R$ 6.920,63 por CPF.
Entre as empresas, eram 9,1 milhões de CNPJs negativados, com R$ 232,9 bilhões em dívidas. As micro e pequenas empresas concentravam 8,7 milhões desse total, mostrando que a dificuldade de reorganizar as contas não está restrita às grandes companhias.


