Juros menores podem ajudar, mas não resolvem tudo
Uma eventual redução dos juros poderia aliviar parte dessa pressão, principalmente para empresas que possuem dívidas pós-fixadas ou precisam renovar linhas de crédito com frequência. Ainda assim, o efeito não seria imediato.
Segundo Guilherme, empresas altamente endividadas podem precisar de 6 a 18 meses para apresentar uma melhora mais perceptível, dependendo dos vencimentos das dívidas e da velocidade com que a queda da taxa básica chega às linhas oferecidas pelos bancos. Ele ressalta que se trata de uma estimativa econômica, e não de um prazo fixo.
“Juros menores ajudam muito uma empresa com problema financeiro; não necessariamente salvam uma empresa com problema operacional. Se o negócio não gera caixa, perde clientes ou opera continuamente com prejuízo, apenas reduzir o custo da dívida pode não ser suficiente.”
Em abril, os pedidos de recuperação judicial foram liderados por empresas do setor de serviços, com 45 companhias envolvidas, seguido pelo comércio, com 43. Agropecuária e indústria apareceram na sequência, com 31 e 22 empresas, respectivamente.
Ao mesmo tempo em que empresas de diferentes setores recorrem à recuperação judicial para reorganizar suas obrigações, os dados de inadimplência mostram que o desafio é mais amplo: manter o caixa, acessar crédito e pagar dívidas continua sendo uma dificuldade para negócios de diferentes tamanhos em um ambiente de financiamento ainda caro.


