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Investir fora do Brasil: proteção, diversificação e acesso a um mundo de oportunidades

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Quando converso com investidores sobre patrimônio de longo prazo, uma preocupação aparece com frequência: o risco Brasil. Mas, apesar de ser uma expressão bastante conhecida, poucas pessoas entendem exatamente o que ela significa — e, principalmente, como um investidor pode reduzir sua exposição a esse risco.

É aí que entra o investimento internacional. Investir fora do Brasil não significa simplesmente se proteger de uma eventual crise brasileira. É também uma questão de diversificação e de acesso a oportunidades que não existem dentro do mercado brasileiro.

O Brasil é apenas uma pequena parte do mundo

O Brasil possui excelentes empresas, bons gestores e diversas oportunidades de investimento. Mas o nosso mercado representa apenas uma pequena parcela do mercado global.

Quando olhamos para a capitalização dos mercados acionários, o Brasil representa algo
próximo de 2% do mercado mundial. Isso significa que, se você concentra 100% do seu patrimônio investível no Brasil, está deixando de acessar uma parcela enorme das empresas, setores e economias disponíveis no mundo.

E não estamos falando apenas de Estados Unidos. Estamos falando de Europa, Japão, China, outros países asiáticos e diversas economias desenvolvidas e emergentes. Para quem está construindo patrimônio pensando em aposentadoria, geração de renda ou simplesmente tranquilidade financeira no futuro, faz sentido considerar todo esse universo de possibilidades.

E onde entra o risco Brasil?

O risco Brasil não está relacionado apenas à possibilidade de uma crise financeira. Ele envolve uma série de fatores que podem afetar simultaneamente os investimentos de quem concentra seu patrimônio no país: cenário fiscal, política econômica, inflação, juros, câmbio, instabilidade política e até mudanças regulatórias.

Ter uma parcela do patrimônio fora do país não elimina esses riscos, mas reduz a
dependência do investidor em relação a uma única economia.
Imagine, por exemplo, que grande parte do seu patrimônio esteja vinculada ao Brasil.

Sua renda vem do Brasil, seus imóveis estão no Brasil, suas empresas estão no Brasil e seus investimentos também estão no Brasil.

Investir em diversificação internacional ajuda justamente a quebrar a concentração de risco | Foto: Reprodução/Canva
Mesmo que cada ativo individualmente seja bom, existe uma concentração importante de risco. A diversificação internacional ajuda justamente a quebrar essa concentração | Foto: Reprodução/Canva

Como investir internacionalmente?

Hoje, o acesso ao mercado internacional está muito mais simples do que era alguns anos atrás. Uma das formas mais fáceis é por meio de fundos de investimento disponíveis em bancos e corretoras brasileiras.

Existem fundos cambiais, que podem buscar exposição ao dólar, fundos de ouro, fundos
que investem em ações americanas ou europeias, fundos de renda fixa internacional e fundos com exposição a diferentes regiões do mundo. Também existem fundos voltados para mercados específicos, como Estados Unidos, Europa ou Ásia.

Outra possibilidade são os ETFs, fundos negociados em bolsa que permitem acessar
determinados índices, setores ou classes de ativos. No mercado brasileiro, existem ETFs que dão exposição a índices internacionais, como o S&P 500, além de produtos relacionados a renda fixa, commodities e criptoativos.

A grande vantagem é a simplicidade: o investidor consegue acessar essas estratégias
utilizando sua própria conta em uma corretora brasileira.

E para quem quer ir além?

Outra alternativa é abrir uma conta internacional ou uma conta de investimentos no
exterior. Aqui existe uma diferença importante. Uma conta internacional pode funcionar simplesmente como uma conta para manter dinheiro em outra moeda. Você faz o câmbio, compra dólares ou euros e mantém aquele dinheiro disponível.

Já uma conta de investimentos permite utilizar esse dinheiro para efetivamente investir
em ativos internacionais. Nesse caso, o investidor pode acessar diretamente ações, ETFs e títulos de diferentes mercados.

E uma das grandes vantagens de uma conta internacional é justamente ampliar o universo
de investimentos disponíveis. Uma conta de investimentos nos Estados Unidos, por exemplo, não precisa significar que todo o seu patrimônio ficará necessariamente investido em empresas americanas. Dependendo da estrutura utilizada, é possível acessar produtos com exposição a diferentes países e regiões.

É nesse universo que entram, por exemplo, as chamadas UCITS, ETFs estruturados
principalmente na Europa e que podem oferecer diferentes possibilidades de diversificação
internacional. Esse é um assunto que merece uma coluna própria.

Mas existe uma diferença importante: a volatilidade

Aqui está um ponto que costuma surpreender o investidor brasileiro. No Brasil, estamos bastante acostumados a olhar investimentos de renda fixa pela lógica da rentabilidade contratada e, em determinados produtos, pela chamada marcação na curva.

Imagine que você invista R$ 1.000 em um título que promete determinada rentabilidade ao
longo do tempo. A visualização do patrimônio pode transmitir uma sensação de crescimento
mais previsível. Na marcação a mercado, por outro lado, o investidor acompanha diariamente o preço pelo qual aquele ativo poderia ser negociado naquele momento.

Assim, um investimento que vale R$ 1.000 hoje pode aparecer amanhã valendo R$ 990 e
alguns dias depois R$ 1.020, mesmo que a estratégia de longo prazo continue fazendo
sentido. Isso não significa necessariamente que o investidor perdeu ou ganhou dinheiro de forma definitiva. É a oscilação do preço de mercado.

Nos mercados internacionais, essa dinâmica é muito presente. Por isso, o investidor brasileiro que começa a investir fora precisa entender que verá mais oscilações na carteira — aquilo que no mercado financeiro chamamos de volatilidade. E isso também explica por que não existe uma regra de colocar todo o patrimônio no exterior de uma hora para outra.

E a rentabilidade?

Outro erro comum é comparar diretamente a renda fixa brasileira com a renda fixa
internacional. Hoje, no Brasil, dependendo do cenário de juros e dos investimentos escolhidos, é possível encontrar retornos nominais na faixa de 13% a 15% ao ano.

Em outros mercados, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, a rentabilidade
nominal da renda fixa pode ser menor. Nos Estados Unidos, por exemplo, podemos encontrar investimentos de renda fixa com retornos na faixa de 3% a 5% ao ano, dependendo do título, prazo e condições de mercado.

Isso pode fazer o investimento internacional parecer menos atrativo à primeira vista. Mas existe uma diferença fundamental: o objetivo de investir fora não é necessariamente buscar uma taxa de juros maior, e sim diversificar a fonte de retorno e de risco do patrimônio.

Um investimento internacional pode gerar uma determinada rentabilidade na moeda
estrangeira e, para o investidor brasileiro, ainda existir a variação cambial. Se o dólar se valoriza frente ao real, por exemplo, isso influencia o valor do investimento quando convertido novamente para reais.

Portanto, não devemos olhar apenas para os juros ou para a rentabilidade nominal. Precisamos olhar para o conjunto: retorno, moeda, risco, prazo e função daquele investimento dentro da carteira. É justamente essa combinação que faz o investimento internacional ter espaço em uma carteira de longo prazo.

Quanto investir fora?

Não existe um percentual universal que sirva para todos os investidores. Na prática, para muitos dos investidores com quem conversamos, uma exposição inicial de 5% a 15% do patrimônio em ativos internacionalizados pode ser uma referência interessante, dependendo do perfil, dos objetivos e da estrutura patrimonial de cada pessoa.

Mas você não precisa começar com 15%. Pode começar com 1%, 2% ou 3%. O objetivo inicial pode ser simplesmente se acostumar com a dinâmica de investir em outra economia, em outra moeda e com outra forma de visualizar os preços.

Com o tempo, conforme o investidor entende melhor essa classe de ativos e seus objetivos
patrimoniais, essa exposição pode ser aumentada. Mais importante do que encontrar um percentual mágico é entender por que aquela parcela está fora do Brasil e qual função ela exerce na carteira.

Diversificação também é proteção

Imagine que você tenha uma carteira formada por bons investimentos, mas praticamente
todos dependam da mesma economia. Você pode ter renda fixa, ações, fundos imobiliários e imóveis físicos. Ainda assim, existe uma concentração geográfica relevante.

Investir internacionalmente adiciona uma camada diferente de diversificação. Você passa a ter patrimônio exposto a outras moedas, outras empresas, outros setores, outros governos e outras economias. É como aquela velha ideia de não colocar todos os ovos na mesma cesta. Só que, nesse caso, não estamos falando apenas de ativos diferentes. Estamos falando de economias diferentes.

E existe ainda a questão sucessória

O investimento internacional também pode fazer parte de um planejamento patrimonial mais
amplo. Dependendo da jurisdição, da estrutura utilizada e do tipo de ativo, o tratamento sucessório pode ser diferente daquele encontrado no Brasil.

Por isso, ao investir no exterior, é importante lembrar que o patrimônio internacional continua sujeito às obrigações tributárias e sucessórias aplicáveis no Brasil. Além disso, dependendo da estrutura e da jurisdição escolhida, podem existir também regras e tributações no exterior.

Essa é uma questão que precisa ser analisada individualmente. Por isso, antes de estruturar um patrimônio internacional pensando também em sucessão, consulte um contador ou advogado especializado, que poderá avaliar sua situação específica, a jurisdição, os ativos utilizados e as consequências tributárias e sucessórias.

O objetivo não é sair do Brasil

Investir fora não significa acreditar que o Brasil não possui boas oportunidades. Muito pelo contrário. O Brasil pode e deve continuar fazendo parte de uma carteira bem construída. A questão é outra: se existem milhares de empresas, diferentes economias, moedas e mercados disponíveis ao redor do mundo, por que limitar todo o seu patrimônio a um único país?

Para quem está construindo patrimônio pensando em décadas, diversificação não deveria
ser apenas entre diferentes investimentos. Também deveria existir diversificação entre diferentes economias.

Investir internacionalmente é, acima de tudo, uma forma de ampliar o horizonte da carteira.
Porque o seu patrimônio pode até ter começado no Brasil. Mas as oportunidades para construí-lo não terminam na fronteira.

Sobre o autor Genilson Junior

13 anos de experiência com finanças em diversos setores, como imobiliário, automotivo, consignado, educação financeira e, principalmente, construção de patrimônio

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