O que as estatísticas dizem sobre o trabalho do cuidado e sua invisibilidade?
Segundo a OIT, em 2030, 2,3 bilhões de pessoas demandarão cuidado ao redor do mundo. A Oxfam (2020) divulgou que mulheres e meninas dedicam 12,5 bilhões de horas ao trabalho do cuidado não remunerado. Este dado representa uma contribuição anual avaliada ao menos em 10,8 trilhões de dólares.
Cálculos realizados por economistas como Hildete Melo mostram que o PIB brasileiro poderia aumentar 11% em 2015 se o trabalho reprodutivo fosse contabilizado. Seria acrescido, em média, 9% ao ano caso os afazeres domésticos fossem remunerados.
Leia também: Queda do número de filhos tem alguma relação com o futuro da economia?
Segundo o IBGE, através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, em 2022, as mulheres brasileiras dedicam quase o dobro de tempo que os homens aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas. São 21,3 horas semanais, contra 11,7 horas, em média. 86% das mulheres com idades entre 14 e 24 anos cuidam de afazeres da casa; entre os homens da mesma idade, só 69%. Entre as mulheres brancas, 31,5% tiveram de cuidar de pessoas. A proporção sobe para 36% quando se trata de mulheres pretas e 38% em relação às pardas.
Os homens gastam mais tempo cumprindo tarefas domésticas quando moram sozinhos. Para as mulheres, é o inverso: elas têm mais trabalho quando dividem o lar com alguém.


