Para Edde, com os possíveis prêmios, a tendência é que o filme permaneça em cartaz por mais tempo, seguindo “uma carreira perene” nas salas de cinema. No entanto, ele ressalta que é necessário estímulo para que esse momento seja bem aproveitado. Para isso, é essencial que o governo e as instituições culturais implementem políticas públicas eficazes. A primeira medida, segundo Edde, é “a retomada dos investimentos na indústria”, com foco nos próximos filmes e no incentivo ao consumo de produções nacionais.
O equilíbrio entre o fortalecimento do mercado interno e a internacionalização das produções é fundamental. “A exportação é vital para essa indústria. É importante manter incentivos que ampliem o engajamento, como programas de exibição em salas de cinema, escolas e centros culturais, além de ações que promovam festivais e mostras regionais e o necessário fortalecimento do segmento de distribuição”, aponta.
As políticas públicas devem incluir a regulação do streaming, além de programas de exibição em cinemas, escolas e centros culturais. Patrícia Machado, professora de Estudos de Mídia da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), destaca a importância de editais e investimentos para garantir a expansão e a sustentabilidade do setor.
“As políticas públicas da Ancine e os editais fomentaram significativamente a produção cinematográfica brasileira, democratizando o acesso a recursos e impulsionando a diversidade regional. O cinema mineiro, pernambucano e de outras regiões ganharam força, enriquecendo o cenário audiovisual com estéticas e narrativas únicas. No entanto, a descontinuidade dessas políticas nos últimos anos prejudicaram o setor. A retomada dos editais da Ancine e dos governos estaduais é fundamental, pois o dinheiro investido retorna ao fundo setorial, alimentando um ciclo virtuoso de produção e distribuição’’.
Fernanda Torres fez história ao vencer a categoria de Melhor Atriz em Filme Dramático no Globo de Ouro 2025 | Foto: Reprodução/ Reuters
Para a criadora de conteúdos e crítica da Abraccine e Critics Choice, Fabiana Lima, o Oscar “é um palco que, mundialmente, permite que as pessoas, inclusive os brasileiros, passem a olhar para o cinema nacional com maior atenção”.
Lima complementa dizendo que as indicações ao Oscar “chegam em um momento muito especial para o cinema brasileiro, de reconhecimento internacional”. A crítica também ressalta que as indicações são uma validação da riqueza do cinema nacional. “É como se fosse apenas uma confirmação do que nós, enquanto críticos, tentamos diariamente transmitir sobre o quão rico é o nosso cinema. Agora, é hora de fazer com que as pessoas acreditem nisso e busquem conhecer mais sobre nossa história”.
No entanto, investir na formação de novos talentos é essencial. Patrícia Machado expressa preocupação com os jovens que desistem da área por falta de oportunidades, ressaltando que “tantos talentos estão aí para serem descobertos, explorados e desenvolvidos”.
O Estado tem um papel fundamental no incentivo a essas práticas, organizando editais e distribuindo recursos. O fortalecimento do cinema brasileiro depende do investimento, que gera empregos e movimenta a economia. “É um trabalho complexo e coletivo, que demanda diversas especialidades e funções”.
Jornalista e apresentador. Com mais de uma década na comunicação, passou pela Globo, CNN, Revista Época. É colunista em Ecoa UOL e Projeto Colabora. Filho da Rocinha, cria do mundo.