Não é incomum, infelizmente, que grande parte das pessoas não saibam informações relacionadas à África. Sim, um continente que tem uma união que reúne 55 países, e que, somados, dão conta de um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 2,86 trilhões – referentes a uma população de 1,4 bilhão de pessoas, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Não, esse início de texto não foi gratuito – apesar da inegável desigualdade presente. Mas apenas para mostrar o desconhecimento sobre o que se trata quando falamos da Terra-Mãe de todos os povos, e que muitas vezes passa batido (ou passava, até então), pela dinâmica de narrativa criada ao longo de anos, em que só ganham os holofotes quando em enredo de escola de samba (a não ser que o carnavalesco se oponha, como virou polêmica recente). Mas que agora, como novas possibilidades de comunicação e acesso, podem ser, enfim, disputadas e multiplicadas além do período da folia, com a criação de projetos que se tornam elos entre os que estão aqui e lá.
Novos projetos
Como a mais recente empreitada lançada por Roger Cipó e a organização Djassi Africa, o projeto: Todo Dia História Negra. O podcast mostra histórias e trajetórias de indivíduos notáveis dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), revelando o valor dessas nações, conectadas ao Brasil por laços linguísticos e culturais significativos.

O podcast apresenta histórias de figuras como Dino D’Santiago (Cabo Verde), um dos artistas lusófonos (pessoas ou povos que falam o português como língua oficial ou dominante, ou que partilham a cultura portuguesa) mais premiados em Portugal e indicado ao Grammy.
Sua projeção internacional e colaborações com artistas brasileiros renomados como Criolo, Amaro Freitas, Luedji Luna e Emicida demonstram o talento e a relevância cultural que vêm do continente africano e de sua diáspora.
Da mesma forma, a trajetória de Carla Adão (Angola), a primeira mulher negra a dirigir um canal de TV em Portugal (o “RTP África”), ilustra a capacidade de liderança e inovação presentes no continente. Os irmãos Rudolphe e Fernando Cabral (Guiné-Bissau), fundadores da Djassi África, demonstram o empreendedorismo e a visão de futuro ao impulsionarem startups inovadoras de africanos e afrodescendentes.
Esses exemplos, embora focados nos PALOP, servem como uma janela para a vasta riqueza humana, criativa e de liderança existente em todo o continente africano. O desconhecimento dessa riqueza e valor é uma questão complexa, sim, mas muitas vezes ligada a narrativas históricas eurocêntricas que marginalizaram as contribuições africanas. A falta de conhecimento não apenas empobrece, mas sobretudo limita as oportunidades de colaboração e reconhecimento do potencial africano em diversas áreas.
Sem Fronteiras
Não à toa, em novembro de 2024, o colaborador do Super Finanças, Nathan Farias, voou até a África do Sul, fixando-se em Cape Town – em português chamada de “Cidade do Cabo” – capital legislativa do país. É ele quem conta, no especial Sem Fronteiras, a energia vibrante e contagiante da cidade, uma ‘’prima’’ brasileira.
Iniciativas como as citadas abrem portas cruciais para combater esse desconhecimento. Ao apresentar histórias em primeira pessoa, o podcast Todo Dia História Negra humaniza as experiências e permite que as vozes africanas sejam ouvidas diretamente.
Não dá pra ficar sem saber mais.


