Um novo relatório do Google, por meio do projeto Creative Drops, revelou uma tendência importante no consumo de conteúdo em vídeo no Brasil: os millennials, grupo formado por pessoas nascidas entre 1980 e 1995, estão priorizando vídeos mais longos e com conteúdo aprofundado.
A preferência vai na contramão do consumo acelerado e superficial que ficou associado à Geração Z e revela uma mudança estratégica no modo como marcas devem se posicionar diante desse público — que hoje representa uma parcela economicamente ativa, em posições de liderança e com poder de compra em crescimento.

O Creative Drops é um projeto trimestral do YouTube que busca decodificar os hábitos culturais da audiência da plataforma e transformá-los em oportunidades estratégicas para empresas. A primeira edição do relatório, chamada Millennial Comeback, focou no comportamento dos millennials ao consumir conteúdo em vídeo — comportamento esse que pode orientar decisões de marketing e publicidade.
Segundo Aline Moda, diretora de agências e soluções para marcas do Google Brasil, os millennials demonstram maior interesse por conteúdos que oferecem aprendizado, reflexão ou experiências mais imersivas.
“Vimos muitas possibilidades para as marcas, principalmente quando entendemos que os millennials atingiram um estágio significativo de maturidade geracional”, afirma a executiva. Segundo ela, o grupo tem buscado conexões mais profundas com os conteúdos e com os criadores.
Esse novo comportamento também se manifesta no tipo de formato preferido. Os millennials têm dado preferência a videocasts longos, vlogs com narrativas mais elaboradas e vídeos no estilo POV (point of view), em que o criador de conteúdo compartilha sua visão pessoal sobre determinado assunto.
Conteúdo com propósito: mais do que entretenimento
O estudo mostra que os millennials consomem vídeos não apenas como forma de entretenimento, mas também como ferramenta de aprendizado e de construção de identidade. Essa geração vivenciou a transição entre o mundo analógico e digital, cresceu com a internet e se tornou uma audiência exigente, que valoriza autenticidade, conteúdo informativo e experiências relevantes.
A pesquisa reforça que esse público tende a confiar mais em recomendações de produtos feitas por criadores de conteúdo do que em anúncios tradicionais. Isso significa que ações de marketing de influência ganham ainda mais força entre os millennials — desde que o conteúdo seja genuíno e conectado com os valores da audiência.
Outro destaque é o papel ativo que os millennials desempenham em movimentos culturais. O relatório aponta que essa geração lidera a ressignificação de estereótipos, como o do “nerd” — que passou a ser visto como cool — e está no centro da popularização da cultura pop asiática e do universo gamer.
Leia também: Fim do SEO? Conheça a nova ferramenta de otimização para buscas
Esse fenômeno tem impacto direto no mercado. As marcas que identificam essas tendências podem criar campanhas mais assertivas, tanto no discurso quanto na escolha dos canais e influenciadores. Um exemplo claro disso é a crescente adesão ao modelo de vídeo on demand, que permite que o público escolha exatamente o que deseja assistir e por quanto tempo.
Estratégia digital: o poder da análise de dados
Com base em dados internos do YouTube, o projeto Creative Drops oferece às empresas uma leitura estratégica do comportamento de consumo. Essa análise é essencial em um cenário onde o marketing de conteúdo e a presença digital se tornaram centrais para o crescimento dos negócios.
Além dos relatórios trimestrais, o projeto também promoverá eventos e encontros com criadores de conteúdo. A proposta é gerar trocas e insights que ajudem marcas a se posicionarem de forma mais relevante diante de uma audiência cada vez mais crítica.
Do ponto de vista financeiro, essa conexão com os millennials é estratégica. De acordo com estimativas do Google, o grupo representa uma força econômica significativa. Nos Estados Unidos, o poder de compra dos millennials ultrapassa os US$ 2,5 trilhões — o que equivale à cerca de R$ 12,8 trilhões na cotação atual (R$ 5,12 por dólar, em maio de 2025). No Brasil, embora o número exato seja menor, a influência dessa geração sobre tendências de mercado e consumo é cada vez mais evidente.
Oportunidades para marcas
O relatório é um chamado para as marcas entenderem que não basta estar presente nas plataformas digitais. É necessário construir conteúdos que respeitem o tempo, a inteligência e os interesses de uma geração que valoriza autenticidade, informação e propósito.
Em um ambiente digital saturado por vídeos curtos e virais, o comportamento dos millennials indica que há espaço — e demanda — para conteúdos mais densos e significativos. O desafio, agora, é como as empresas vão adaptar suas estratégias para atender a esse público que, além de consumir, também influencia.
*Entrevista concedida ao Meio&Mensagem


