A Fundação Bill & Melinda Gates anunciou nesta segunda-feira, 4 de agosto, um novo compromisso financeiro para ampliar os investimentos em saúde da mulher nos próximos cinco anos. Serão US$ 2,5 bilhões, o equivalente a R$ 13,75 bilhões, destinados à pesquisa e ao desenvolvimento de soluções para condições que historicamente recebem pouca atenção, como saúde materna, ginecológica e menstrual.
Segundo a instituição, mais de 80% das mulheres que vivem em países de baixa e média renda serão beneficiadas direta ou indiretamente com os avanços pretendidos. Atualmente, a fundação trabalha com mais de 300 parceiros internacionais para acelerar a chegada de tecnologias acessíveis e eficazes para usuárias de sistemas públicos de saúde.
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Tecnologia e IA como vetores de inovação
A diretora da área de igualdade de gênero da Fundação Gates, Dra. Anita Zaidi, destacou o papel da inteligência artificial (IA) como ferramenta de transformação no setor. Entre os produtos em fase de testes clínicos está um ultrassom portátil que pode ser conectado a um celular. Com apoio da IA, o equipamento permite que profissionais de saúde identifiquem riscos durante a gravidez mesmo sem a presença de especialistas.
Outra solução financiada pela fundação é um sistema inteligente de monitoramento fetal, que auxilia na decisão do momento adequado para o parto. Com ele, é possível detectar sinais de sofrimento fetal e reduzir cesáreas desnecessárias. Ambas as tecnologias devem ser lançadas comercialmente entre dois e três anos.
Desigualdade histórica nos investimentos em saúde da mulher
De acordo com um levantamento da Forbes publicado em 2018, apenas 4% dos recursos globais de pesquisa e desenvolvimento na área da saúde eram destinados a condições que afetam prioritariamente mulheres. Essa lacuna é o foco principal da nova estratégia da Fundação Gates, que pretende incentivar também a entrada de governos e setor privado nesse tipo de investimento.
Dra. Zaidi reforçou que o novo compromisso surge em um momento crítico, em que alguns países sinalizam cortes em programas de pesquisa. Um exemplo é o caso da Women’s Health Initiative (WHI), que quase perdeu financiamento federal nos Estados Unidos em 2025, mas teve os recursos mantidos após pressão de grupos da sociedade civil e da comunidade científica.
Expansão filantrópica da Fundação Gates
Criada em 2000 por Bill Gates e sua então esposa Melinda, a Fundação Gates já destinou mais de US$ 100 bilhões (R$ 550 bilhões) a projetos globais em saúde, educação e desenvolvimento. Desde 2006, o bilionário Warren Buffett também contribui regularmente com doações anuais de ações da Berkshire Hathaway.
Em maio deste ano, Gates anunciou a intenção de doar 99% de sua fortuna — estimada em US$ 116,3 bilhões (R$ 639,65 bilhões) — até o encerramento das atividades da fundação, previsto para 31 de dezembro de 2045. A expectativa é que os aportes filantrópicos ultrapassem os US$ 200 bilhões (R$ 1,1 trilhão) até lá.
O orçamento anual da entidade vem crescendo nos últimos anos: de US$ 6 bilhões (R$ 33 bilhões) em 2022, a projeção é de que os desembolsos anuais cheguem a US$ 9 bilhões (R$ 49,5 bilhões) até 2026.
Dados globais reforçam urgência do tema
Segundo o relatório do Fórum Econômico Mundial de 2024, mulheres vivem, em média, mais do que homens, mas passam 25% mais tempo de suas vidas enfrentando condições de saúde precárias. Esse dado reforça a necessidade de direcionar mais recursos para problemas que afetam exclusivamente ou prioritariamente o público feminino.
Zaidi afirmou que, embora a iniciativa da Fundação Gates não substitua o papel dos governos, pode contribuir para acelerar soluções, fomentar a inovação e ampliar o debate global sobre a saúde da mulher.
*Entrevistas concedidas a Forbes.


