O estudo mais recente do CIES Football Observatory, divulgado em setembro de 2025, mostra que apenas três times brasileiros figuram entre os 100 times mais valiosos do mundo. O Flamengo ocupa a 54ª posição, com elenco avaliado em 192 milhões de euros, cerca de R$ 1,2 bilhão na cotação atual. O Palmeiras aparece em 63º lugar, com 175 milhões de euros, o equivalente a R$ 1,1 bilhão. Já o Botafogo é o 73º, com 122 milhões de euros, pouco menos de R$ 800 milhões.
Segundo o levantamento, publicado na edição 513 do Weekly Post do CIES, a presença restrita de equipes nacionais reforça a distância entre o futebol brasileiro e os principais mercados europeus.
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Times ingleses dominam o topo
No topo da lista está o Chelsea, com elenco avaliado em 1,314 bilhão de euros, aproximadamente R$ 8,4 bilhões. O clube londrino fez a contratação mais cara do período analisado, o volante Moisés Caicedo, por 134 milhões de euros (R$ 860 milhões).
Logo atrás aparecem Manchester City (1,128 bilhão de euros, ou R$ 7,2 bilhões), Manchester United (1,071 bilhão de euros, ou R$ 7 bilhões), Liverpool (1,065 bilhão de euros, ou R$ 6,8 bilhões), Arsenal (1,001 bilhão de euros, ou R$ 6,5 bilhões) e Tottenham (974 milhões de euros, ou R$ 6,3 bilhões).
O Newcastle, outro representante da Premier League, surge em 9º lugar, avaliado em 816 milhões de euros, cerca de R$ 5,2 bilhões.
Fora da Inglaterra, valores menores
Nenhum clube fora da Inglaterra ultrapassou a marca de 1 bilhão de euros na avaliação dos elencos. O Paris Saint-Germain é o primeiro não inglês, em 7ª posição, com 873 milhões de euros (R$ 5,6 bilhões). Em seguida aparecem o Real Madrid, avaliado em 854 milhões de euros (R$ 5,5 bilhões), e o Atlético de Madrid, em 10º, com 572 milhões de euros (R$ 3,7 bilhões).
Entre os clubes fora da Europa, o destaque é o saudita Al Hilal, na 19ª colocação, com 451 milhões de euros, o que equivale a R$ 2,9 bilhões.
Como o CIES calcula os valores
A metodologia utilizada pelo CIES considera os valores pagos em contratações, incluindo bônus e empréstimos. Esse critério ajuda a medir quanto os clubes investiram efetivamente para formar seus elencos atuais.
No caso do Chelsea, o estudo cita uma estratégia mista, que une contratações de alto custo a apostas em jovens talentos. Um exemplo é o meia Estevão, revelado pelo Palmeiras, que foi incorporado ao elenco londrino entre investimentos em jogadores consolidados.
Diferença de recursos entre Brasil e Europa
O contraste entre os poucos representantes brasileiros e o poder de investimento dos clubes ingleses é evidente. Somados, Flamengo, Palmeiras e Botafogo não alcançam metade do que cada um dos seis primeiros ingleses gastou para montar seus elencos.
Essa distância reflete questões que vão além do campo, como direitos de transmissão, receitas de patrocínio e acesso a mercados financeiros. Enquanto clubes europeus podem recorrer a investidores e parcerias milionárias, os brasileiros ainda enfrentam limitações estruturais e dependem, em grande parte, da venda de jogadores formados em suas categorias de base.
Gastos globais em alta
O relatório aponta que os dez clubes que mais investiram em taxas de transferência aumentaram seus gastos em 15% na comparação anual, passando de 8,44 bilhões para 9,67 bilhões de euros (de R$ 53,9 bilhões para R$ 61,7 bilhões).
No recorte dos cem primeiros clubes, o aumento foi de 12%, saltando de 26,23 bilhões para 29,42 bilhões de euros (de R$ 167,6 bilhões para R$ 187,8 bilhões). O CIES associa esse crescimento ao recorde de transferências registrado em 2025.
Implicações para o futebol brasileiro
Para os clubes nacionais, o estudo mostra duas faces. De um lado, a capacidade de revelar talentos que despertam interesse no exterior. De outro, a dificuldade de competir em contratações de alto nível diante da disparidade financeira com os grandes centros.
Mesmo com a presença de Flamengo, Palmeiras e Botafogo, o Brasil segue distante do grupo de elite em termos de valores investidos. A diferença ressalta os desafios de sustentabilidade financeira e a necessidade de estratégias de longo prazo para manter competitividade.


