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Economia e responsabilidade social: como a moda constrói novos rumos para a indústria brasileira

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Há muito tempo o mercado da moda deixou de ser associado apenas à estética para se consolidar como um dos pilares mais robustos da economia e um indicador central de um estilo de vida. No Brasil, os números mais recentes confirmam essa trajetória de forte expansão, que fará da atual temporada de outono e inverno de 2026 registrarem um avanço de 4,2% em comparação ao período anterior.

Segundo estimativas do IEMI – Inteligência de Mercado, as vendas para a temporada devem atingir R$ 63,34 bilhões, contra os R$ 60,79 bilhões contabilizados no ano passado.

No bojo das cifras, o verdadeiro salto estratégico do mercado atual está na capacidade de ditar novas direções para a cadeia produtiva, unindo o faturamento bilionário à preservação ambiental e ao impacto social.

Assim, atitudes como o reaproveitamento de materiais surgem como uma alternativa viável para reduzir os impactos ambientais de outros setores industriais. Um exemplo prático dessa convergência ocorre no setor marítimo, com o projeto “Upcycling: Ressignificando resíduos”, desenvolvido pela Camorim Serviços Marítimos.

A iniciativa tem utilizado da criatividade para dar um novo rumo aos macacões, aventais, luvas e coletes. Os Equipamentos de Proteção Individual (EPis) e demais resíduos têxteis gerados internamente, que antes seriam descartados, foram inseridos num processo de reciclagem e são transformados em bolsas, carteiras, capas para computadores portáteis, bolsas de utilidades e chaveiros.

Moda, sustentabilidade e impacto social já caminham lado a lado: projeto transforma resíduos têxteis em novos produtos e ajuda a impulsionar a economia circular no BrasilFoto: Reprodução/Canva
Moda, sustentabilidade e impacto social já caminham lado a lado: projeto transforma resíduos têxteis em novos produtos e ajuda a impulsionar a economia circular no BrasilFoto: Reprodução/Canva

Teve início no segundo semestre de 2025, com um projeto piloto que transformou 155 quilos de material têxtil em aproximadamente 600 unidades de peças recicladas. A ação evitou a emissão de 186,5 quilos de dióxido de carbono equivalente na atmosfera.

“Nós entendemos que o papel das empresas vai além da operação em si. No nosso segmento, temos uma responsabilidade importante não apenas do ponto de vista ambiental, mas também social, especialmente na região onde atuamos”, enfatiza Plinio Sales, diretor estratégico da marca. 

Mais do que a redução de gases de efeito estufa, a ação fomenta a economia circular por meio de uma parceria com o Instituto Mulheres do Sul Global. Sediada em Niterói, no Rio de Janeiro, a fábrica-escola atua há oito anos na gestão responsável de resíduos têxteis e no empoderamento econômico de mulheres brasileiras, refugiadas e migrantes por meio do ensino da costura industrial. Segundo Sales, existe desejo em expandir esse modelo para outras operações, dependentes da infraestrutura disponível e autorização de cada porto, seguindo as avaliações técnicas, regulatórias e operacionais específicas. 

Dentro do setor, a atividade foi bem recebida. ‘’Percebemos uma receptividade bastante positiva dos colaboradores e parceiros em relação às iniciativas sustentáveis implementadas pela empresa, principalmente quando essas ações demonstram resultados concretos no dia a dia. Mais do que uma vantagem competitiva, acreditamos que essas iniciativas representam uma preparação necessária para o futuro’’. 

Ao enxergar esse panorama à desta realização – também feita pela Lixoxiki, com foco na reutilização de resíduos transformando-os em novos produtos, a parceria entre a indústria marítima e o setor têxtil evidencia que sim, a viabilidade financeira e a responsabilidade socioambiental deixaram de caminhar em vias opostas. Passaram a andar em uma única avenida.

Ao transformar toneladas de resíduos operacionais em insumos para a economia circular e geração de renda local, ações como essa criam um novo padrão para consumidores e investidores cada vez mais exigentes. O futuro dos grandes setores econômicos do país — seja nos portos ou no varejo de moda — no entanto dependerá, invariavelmente, da capacidade de alinhar o crescimento das receitas à preservação do ecossistema e ao desenvolvimento humano.

Sobre o autor Edu Carvalho

Jornalista e apresentador. Com mais de uma década na comunicação, passou pela Globo, CNN, Revista Época. É colunista em Ecoa UOL e Projeto Colabora. Filho da Rocinha, cria do mundo.

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