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Brasil fica entre os piores em ranking global de matemática

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Participação no ranking

As provas do Timss (Trends in International Mathematics and Science Study) são realizadas a cada quatro anos desde 1995 e avaliam o desempenho educacional em diversos países. Em 2024, pela primeira vez, o Brasil participou do ranking, marcando um momento significativo para a educação nacional ao entrar em um estudo internacional de referência.

Organizado pela Associação Internacional para a Avaliação do Desempenho Educacional (IEA), o Timss fornece dados que permitem comparações entre diferentes países ao longo do tempo. Esses dados são importantes para entender os avanços e desafios no ensino de ciências e matemática em um contexto global.

O estudo avalia os conhecimentos de alunos do 4º e 8º anos do ensino fundamental em ciências e também examina os contextos de aprendizagem que influenciam o desempenho desses estudantes. Isso inclui fatores como recursos disponíveis, metodologias de ensino, formação dos professores e engajamento dos alunos, fornecendo uma análise detalhada sobre como esses elementos afetam os resultados educacionais.

Investimento público em educação cai no Brasil entre 2015 e 2021, diz OCDE

No Brasil, entre os anos de 2015 e 2021, o investimento público em educação apresentou uma redução média anual de 2,5%, conforme aponta o relatório internacional Education at a Glance (EaG) 2024, publicado em setembro de 2024 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Em contraste, no mesmo período, os países membros da OCDE registraram um aumento médio anual de 2,1% nos investimentos públicos em educação, abrangendo os níveis fundamental, médio e superior.

Além da queda percentual, o Brasil investe menos em educação, em valores absolutos, do que a média dos países da OCDE. Nas escolas de ensino fundamental, o investimento médio anual por aluno é de US$ 3.668, aproximadamente R$ 20,5 mil. Nos países da OCDE, esse valor é muito maior, atingindo US$ 11.914, o equivalente a cerca de R$ 66,5 mil.

No ensino médio, o cenário não é diferente: enquanto o Brasil investe cerca de US$ 4.058 (R$ 22,6 mil) por aluno, os países da OCDE aplicam em média US$ 12.713 (R$ 71 mil). Já no ensino superior, o Brasil destina US$ 13.569 (R$ 75,8 mil) por aluno, ainda abaixo do valor médio dos países da OCDE, que chega a US$ 17.138 (R$ 95,7 mil).

Apesar de destinar uma parcela maior dos gastos totais do governo à educação em comparação com os países da OCDE, essa proporção também diminuiu no Brasil, passando de 11,2% em 2015 para 10,6% em 2021. Nos países da OCDE, houve uma leve redução média no mesmo período, de 10,9% para 10,0%.

Notícias relacionadas ao tema mostram que países da OCDE estão reduzindo o percentual de jovens que não estudam nem trabalham (“nem-nem”) e que a escolaridade obrigatória no Brasil é superior à média dos países da organização.

Salários dos professores

No Brasil, os professores recebem salários menores e trabalham mais horas do que a média dos países da OCDE. Em 2023, o salário médio anual dos docentes que atuam nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) foi de US$ 23.018, ou cerca de R$ 128,4 mil, valor que está 47% abaixo da média da OCDE, de US$ 43.058, ou aproximadamente R$ 240,2 mil.

O relatório destaca que o trabalho dos professores envolve diversas responsabilidades, como ministrar aulas, preparar conteúdos, corrigir trabalhos e manter contato com os pais dos alunos. No Brasil, os docentes dos anos finais do ensino fundamental precisam lecionar 800 horas por ano, superando a média da OCDE, que é de 706 horas anuais.

Quanto à proporção de alunos por professor, a situação no Brasil também é mais desafiadora. Enquanto na OCDE, em média, há 14 alunos por professor nos anos iniciais do ensino fundamental, 13 nos anos finais e 13 no ensino médio, no Brasil esses números sobem para 23, 22 e 22 alunos por professor, respectivamente.

O relatório enfatiza que a relação entre o número de estudantes e professores deve ser analisada considerando as particularidades de cada país. Ter menos alunos por professor pode melhorar a atenção individual aos estudantes, mas também exige maiores investimentos globais em salários para o corpo docente.

O estudo faz parte do relatório “Education at a Glance” (EaG), que reúne indicadores para comparar os sistemas educacionais de países e regiões participantes. O Brasil participa do EaG desde sua primeira edição, em 1997.

A OCDE, uma organização internacional fundada em 1961 para promover o progresso econômico e o desenvolvimento, conta atualmente com 38 países-membros. Até 2022, o Brasil era parceiro da organização e, desde então, figura como um candidato oficial a membro pleno.

Leia também: Desigualdade racial na educação: desafios persistentes no Brasil

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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