Famílias ricas
Um ex-funcionário de uma empresa que ajuda estudantes internacionais a ingressar em universidades britânicas revelou que os agentes da empresa procuravam famílias com dinheiro para pagar as altas taxas de matrícula.
Ele contou que as universidades estavam cada vez mais desesperadas e aceitavam os planos da empresa sem questionar muito sobre como os estudantes eram encontrados.
O denunciante trabalhou no Study Group, uma das várias empresas que ajudam estudantes a entrar no sistema universitário do Reino Unido, cobrando por seus serviços.
O Study Group, com sede no Reino Unido, trabalha com mais de 50 universidades e tem 3.500 agentes em 99 países. A empresa nega as acusações, afirmando que os estudantes conquistam suas vagas por mérito e que as universidades, não o Study Group, decidem quem é aceito. A empresa também diz que os cursos que oferece são rigorosamente avaliados pelas universidades.
Uma estudante que pagou 16 mil libras (aproximadamente R$ 122 mil) por um curso de finanças na Inglaterra descobriu que a maioria de seus colegas compravam trabalhos de empresas que vendem redações, conhecidas como “fábricas de redação”, fora do Reino Unido. No Reino Unido, é ilegal que um estudante entregue um trabalho feito por outra pessoa.
Quando a estudante contou ao orientador, ele não fez nada. Agora, ela sente que seu mestrado foi “desvalorizado”.
Um professor de uma universidade do Grupo Russell, que prefere não ser identificado, concorda com as preocupações da estudante. Ele disse que, nos últimos cinco anos, 70% de seus alunos de mestrado não tinham inglês suficiente para acompanhar o curso. O professor precisou mudar sua forma de ensinar porque alguns alunos não conseguiam entender questões simples e usavam aplicativos de tradução durante as aulas.
Apesar disso, o professor não culpa os estudantes internacionais, que tentam fazer o seu melhor. Ele também comentou que a situação depende do curso. Os alunos passam porque muitos cursos são avaliados por tarefas, e não por exames. O professor explicou que alguns estudantes compram trabalhos prontos ou usam inteligência artificial para burlar o sistema antiplágio.


