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Harvard quer vender US$ 1 bilhão de seus investimentos em fundos privados

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A Universidade Harvard está em negociações avançadas para vender cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,68 bilhões) em investimentos feitos em fundos privados. Essa decisão acontece por causa de dificuldades no mercado e também por pressões políticas recentes. A venda está sendo organizada pela Harvard Management Company, que cuida do fundo de investimentos da universidade — o maior entre todas as instituições de ensino dos Estados Unidos, com US$ 53 bilhões (R$ 301,04 bilhões).

Fontes ligadas ao assunto disseram que Harvard contratou a empresa Jefferies Financial Group para cuidar da venda do portfólio para a Lexington Partners, uma das líderes nesse tipo de negócio. Mesmo que o acordo ainda não esteja fechado, há a chance de a Lexington convidar outros investidores para participarem da compra. Nenhuma das empresas envolvidas comentou oficialmente sobre o assunto.

Universidade Harvard negocia venda de US$ 1 bilhão em fundos privados.
Harvard tem sofrido ataques frequentes do presidente Donald Trump |Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Esse tipo de venda, chamado de “venda secundária”, tem sido uma saída comum para grandes fundos que estão com dificuldade de transformar investimentos em dinheiro rapidamente. Hoje em dia, está mais difícil vender as empresas nas quais os fundos investiram, o que atrasa os lucros esperados. Isso afeta especialmente universidades como Harvard, que colocaram boa parte do seu dinheiro — cerca de 40%, segundo o relatório mais recente — nesse tipo de investimento, que é mais difícil de resgatar a qualquer momento.

Além dos desafios financeiros, Harvard está no meio de uma crise política. O presidente Donald Trump cortou US$ 2,2 bilhões (R$ 12,5 bilhões) em verbas que seriam repassadas à universidade, dizendo que Harvard não protegeu estudantes judeus como deveria. A universidade reagiu e entrou na Justiça contra o governo, recusando-se a seguir as exigências feitas. Isso aumentou o conflito entre as duas partes.

Trump também ameaçou tirar o benefício de isenção de impostos da universidade, dizendo que ela se comporta como uma “entidade política”. Se isso acontecer, Harvard pode perder muitas doações, que são fundamentais para bancar pesquisas e bolsas de estudo. Diante dessa situação, a universidade já anunciou que não vai contratar novos funcionários este ano.

Vale lembrar que a ideia de vender esses investimentos começou antes do conflito com o governo. Mas a crise política acabou acelerando a necessidade de Harvard tomar decisões rápidas para garantir que tenha dinheiro em caixa e continue financeiramente estável.

A movimentação é uma tendência em outras universidades

Harvard não é a única universidade se desfazendo de parte de seus investimentos. Yale, que tem um fundo de cerca de US$ 41 bilhões (R$ 232,88 bilhões), também está tentando vender uma parte de seus investimentos em fundos privados. Para isso, contratou a empresa Evercore para ajudar no processo, que já está em andamento há alguns meses. Um representante de Yale afirmou que, mesmo com a venda, a universidade continua acreditando nesse tipo de investimento e segue colocando dinheiro em novos projetos.

A empresa que pode comprar os investimentos de Harvard, a Lexington Partners, faz parte da Franklin Resources e é uma das maiores do mundo no mercado de compras de fundos secundários. Em 2023, ela conseguiu levantar um fundo de US$ 22,7 bilhões (R$ 128,98 bilhões) só para esse tipo de negócio, mostrando que esse mercado está crescendo bastante, mesmo com a instabilidade da economia.

Esse movimento de Harvard também mostra como a universidade vem mudando sua forma de investir. Apesar de ter começado mais tarde do que outras instituições a investir em fundos privados, Harvard aumentou bastante sua participação nesse tipo de investimento nos últimos anos. Os resultados têm sido bons: o fundo da universidade teve um rendimento médio de 7,6% ao ano nos últimos 10 anos, e um resultado ainda melhor mais recentemente, de 9,6%.

A decisão de vender parte dos investimentos parece ser uma forma de manter uma reserva de dinheiro disponível em um momento de incerteza. Essa escolha é influenciada tanto pelas dificuldades da economia quanto pelos conflitos com o governo, que ameaçam cortar o apoio financeiro dado às universidades.

Leia também: US$ 9 bilhões em jogo: Harvard afirma que não irá cumprir exigências do governo Trump

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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