A educação a distância no Brasil alcançou uma marca inédita em 2024. Pela primeira vez, o número de estudantes matriculados em cursos de graduação na modalidade virtual superou o de alunos que frequentam aulas presenciais. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 22 de setembro, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Censo da Educação Superior.

Deste total, 5,2 milhões de estudantes escolheram a educação a distância (EaD), enquanto cerca de cinco milhões permanecem em cursos presenciais. A mudança confirma uma tendência observada nos últimos anos: cada vez mais brasileiros estão optando pelo formato remoto, que oferece maior flexibilidade de horários e custos geralmente mais baixos.
Crescimento acompanhado de evasão
Embora os números indiquem expansão, os dados também revelam uma preocupação. O índice de evasão aumentou em 2024. Cerca de 17,5% dos estudantes que ingressaram no ensino superior em 2023 abandonaram os estudos no ano seguinte. O percentual representa uma alta de 1,5% em relação ao ano anterior.
Vários fatores podem influenciar a desistência, como dificuldades financeiras, sobrecarga de trabalho, falta de apoio familiar ou até mesmo a dificuldade de adaptação ao modelo EaD. Para as universidades, a evasão é um desafio que afeta a formação profissional e o planejamento das instituições.
Rede privada concentra maior parte dos alunos
Outro dado importante do Censo é a predominância das instituições privadas. Cerca de 8,1 milhões de estudantes estão matriculados em faculdades e universidades particulares, o que representa um crescimento de 3,2% em comparação a 2023. Já na rede pública estadual e municipal, os números ficaram praticamente estáveis, em torno de dois milhões de estudantes.
A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) destacou a relevância do setor privado para garantir o acesso à graduação. Para o diretor-presidente da entidade, Janguiê Diniz, os números reforçam a responsabilidade das instituições particulares na construção de um país mais inclusivo e preparado para o futuro.
Queda na rede federal de ensino
O levantamento também chama atenção para a redução contínua de matrículas na rede federal de ensino. Entre 2021 e 2024, a queda média foi de 1,02% ao ano. Em 2024, as universidades e institutos federais concentram 64% das matrículas da rede pública, o equivalente a 1,3 milhão de estudantes.
Apesar da redução, a rede federal ainda é considerada referência em qualidade de ensino, mas enfrenta desafios relacionados a cortes de orçamento e limitações de vagas.
Perfil das instituições
O Censo mostra ainda que quase 90% das instituições de ensino superior no país são privadas. Juntas, elas reúnem quase 80% das matrículas. Esse cenário demonstra que a expansão do acesso ao ensino superior no Brasil tem sido, em grande parte, sustentada pelo setor particular.
Participação de pretos, pardos e indígenasDurante a apresentação dos resultados, o Inep chamou atenção para a baixa presença de pretos, pardos e indígenas no ensino superior. Apesar de muitos estados registrarem altas taxas de conclusão do ensino médio entre esses grupos, a transição para a universidade ainda é limitada.
Um exemplo citado foi o estado de Roraima. Ali, 86% dos concluintes do ensino médio são pretos, pardos ou indígenas. No entanto, o estado aparece em último lugar, quando se observa o número de inscrições desses estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), principal porta de entrada para as universidades públicas. Essa discrepância mostra que a desigualdade racial ainda é um obstáculo no acesso ao ensino superior.
Importância do Censo
O Censo da Educação Superior é realizado anualmente pelo Inep e tem papel estratégico. Os dados coletados servem de base para formulação de políticas públicas, acompanhamento de metas educacionais e desenvolvimento de pesquisas sobre o setor. O levantamento reúne informações sobre instituições, cursos, professores e estudantes de todo o país.