Escolaridade influencia diretamente a renda
Além dos impactos sociais, o levantamento mostra que a baixa escolaridade também afeta o rendimento das famílias. Quem não concluiu a educação básica possui renda domiciliar per capita média de R$ 1.427, pouco mais da metade dos R$ 2.777 registrados entre aqueles que finalizaram essa etapa de ensino.
Os dados revelam ainda que:
- 56,5% vivem em domicílios com renda de até um salário mínimo;
- 32,8% estão abaixo da linha de pobreza adotada para países de renda média-alta;
- a taxa de pobreza nesse grupo é 1,8 vez maior do que entre pessoas com educação básica completa.
Os pesquisadores estimam que, caso metade dessa população concluísse os estudos, haveria um ganho potencial equivalente a 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB), reduzindo uma perda anual estimada em R$ 66 bilhões em renda.
Trabalho e responsabilidades familiares dificultam o retorno
Os motivos que levaram ao abandono escolar variam entre homens e mulheres. Entre os homens, o trabalho aparece como principal causa tanto para interromper os estudos quanto para impedir o retorno às salas de aula. Mais da metade afirma que precisou deixar a escola para trabalhar.
No caso das mulheres, além da necessidade de trabalhar, gravidez, cuidados com os filhos e responsabilidades domésticas são os fatores mais citados.

Para aumentar a permanência dos estudantes, seriam necessárias medidas como horários mais flexíveis, oferta de creches e integração entre educação, trabalho e assistência social.
Nova rede quer fortalecer políticas para adultos
Durante o lançamento do estudo foi criada a Rede EJA e Inclusão Produtiva, formada por 16 organizações da sociedade civil, fundações e organismos internacionais.
A iniciativa pretende apoiar a implementação das metas do novo Plano Nacional de Educação (PNE), ampliar o acesso à Educação de Jovens e Adultos e incentivar políticas que facilitem o retorno de quem interrompeu os estudos.
Entre as propostas apresentadas estão o fortalecimento da busca ativa de estudantes, maior investimento nas regiões com maior déficit educacional, financiamento contínuo para a modalidade, atualização dos materiais didáticos e formação permanente de professores.
Na avaliação dos pesquisadores, o desafio deixou de ser apenas abrir novas vagas. Agora, a prioridade é criar condições para que milhões de brasileiros consigam conciliar estudo, trabalho e vida familiar antes que essa geração envelheça sem concluir a educação básica.


