IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%
Ao vivo

64,8% dos alunos do ensino médio não têm aprendizagem adequada em português, aponta análise

Por

·

Mais de seis em cada dez estudantes do 3º ano do ensino médio da rede pública não atingiram o nível de aprendizagem considerado adequado em língua portuguesa em 2025. O percentual chegou a 64,8%, segundo análise do Todos Pela Educação com base nos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

Apesar do cenário ainda preocupante, houve avanço ao longo das duas últimas décadas. Em 2005, apenas 15,7% dos alunos dessa etapa apresentavam aprendizagem adequada na disciplina. Em 2025, a proporção chegou a 35,2%, mais que o dobro do registrado no início da série histórica.

64,8% dos alunos do ensino médio não têm aprendizagem adequada em português
A melhora, porém, não significa que a maior parte dos estudantes tenha alcançado o nível esperado | Foto: Reprodução / Canva

Do total analisado em 2025, 31,2% estavam no nível considerado abaixo do básico, enquanto 33,6% se encontravam no nível básico.

O levantamento faz parte de uma análise dos resultados de 20 anos do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e do Saeb, considerando estudantes do 5º e do 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio da rede pública.

Mais jovens estão concluindo o ensino médio

A evolução dos indicadores precisa ser observada junto a uma mudança importante no perfil dos estudantes que chegam ao fim dessa etapa. Em 2005, cerca de quatro em cada dez jovens concluíam o ensino médio até os 19 anos. Em 2025, essa proporção chegou a aproximadamente sete em cada dez.

Com mais jovens permanecendo na escola e concluindo o ensino médio, o grupo avaliado também se tornou maior e mais diverso. Por isso, o desempenho médio praticamente estável ao longo do período acontece ao mesmo tempo em que houve uma forte ampliação da conclusão escolar.

O resultado mostra que o país conseguiu colocar mais estudantes no fim da educação básica, mas ainda enfrenta dificuldades para garantir que essa permanência venha acompanhada de aprendizagem adequada.

Em 2025, a rede pública alcançou os melhores resultados de Ideb da série histórica iniciada em 2005 nas três etapas avaliadas. O indicador, que combina desempenho dos alunos no Saeb e aprovação escolar, passou de 3,6 para 6,1 nos anos iniciais do ensino fundamental, de 3,2 para 5,0 nos anos finais e de 3,1 para 4,3 no ensino médio.

Mesmo com essa evolução, a análise do aprendizado mostra diferenças importantes entre as etapas. Nos anos iniciais, a média dos estudantes da rede pública chegou ao nível adequado em língua portuguesa e matemática. Nos anos finais, o desempenho médio permaneceu no nível básico nas duas disciplinas.

No ensino médio, a situação é mais difícil. Em língua portuguesa, a média continua no nível básico, enquanto em matemática permanece abaixo do básico.

Piauí, Rio Grande do Sul e Paraná se destacam

Entre 2023 e 2025, 22 estados aumentaram a parcela de alunos do ensino médio com aprendizagem adequada em língua portuguesa. Piauí teve o maior avanço, de 9,9 pontos percentuais, seguido por Rio Grande do Sul, com 9,1 pontos, e Paraná, com 5,9 pontos.

Também houve redução no número de estudantes que estavam no nível abaixo do básico. Nesse caso, 19 estados conseguiram diminuir a proporção de alunos nessa faixa. O Piauí novamente apresentou o maior avanço, com uma redução de 27,5 pontos percentuais. Rio Grande do Sul e Paraná vieram na sequência, com quedas de 6,4 e 5,6 pontos, respectivamente.

Os resultados gerais do ensino médio também mostram uma evolução recente. Entre as 27 redes estaduais, 26 melhoraram ou mantiveram o Ideb entre 2023 e 2025. O Paraná ficou na liderança, com o maior Ideb e a maior nota padronizada do Saeb. Goiás e Espírito Santo também tiveram resultados entre os mais altos do país.

Quando o foco é o crescimento no período, Piauí e Rio Grande do Sul foram os principais destaques, com os maiores avanços tanto no Ideb quanto no indicador de aprendizagem do ensino médio.

O cenário, porém, não foi positivo em todas as redes. O Distrito Federal foi o único a apresentar queda no Ideb do ensino médio entre 2023 e 2025. Rio de Janeiro e Bahia também aparecem entre os estados com os menores indicadores de aprendizagem nessa etapa.

Pandemia ainda entra na conta dos resultados

Os estudantes avaliados em 2025 tiveram parte da trajetória escolar afetada pela pandemia de covid-19. A prova foi realizada quatro anos letivos depois da retomada das atividades presenciais, mas os impactos do período ainda fazem parte da trajetória desses alunos.

Quem estava no 3º ano do ensino médio em 2025 passou pelo 7º e pelo 8º ano do ensino fundamental durante a pandemia. Por isso, os resultados também precisam ser observados considerando as defasagens acumuladas naquele período e os esforços das redes para recuperar conteúdos e habilidades.

De acordo com a análise do Todos Pela Educação, o país recuperou em 2025 o nível de aprendizagem observado em 2019, antes da pandemia. Essa recuperação ocorreu nas três etapas avaliadas, embora os resultados ainda estejam em patamares considerados baixos.

O Saeb é aplicado a cada dois anos e mede o desempenho dos estudantes principalmente em língua portuguesa e matemática. As notas obtidas formam o componente de aprendizagem utilizado no cálculo do Ideb, que também considera as taxas de aprovação.

Para o Todos Pela Educação, os resultados das duas últimas décadas mostram avanços importantes na educação pública, especialmente na progressão e conclusão dos estudantes. O desafio que permanece é fazer com que a ampliação do acesso e da permanência na escola seja acompanhada por uma melhora mais rápida na aprendizagem.

A análise também aponta que os resultados de 2025 encerram um ciclo de 20 anos do Ideb e indicam a necessidade de aperfeiçoar as avaliações educacionais. Entre as mudanças defendidas pela organização está a adoção de avaliações mais alinhadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e capazes de medir habilidades mais complexas.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade