Brasil quer metas mais ambiciosas para reduzir emissões
O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, afirmou nesta quinta-feira, 6 de fevereiro, à AFP (Agence France-Presse, uma das maiores agências de notícias internacionais), que os países devem apresentar planos fortes para reduzir a poluição antes da conferência, que acontecerá em novembro, em Belém. O prazo para a entrega desses compromissos, que devem ser atualizados a cada cinco anos pelo Acordo de Paris, termina em 10 de fevereiro.
A COP30 acontece em um momento de incertezas. Os Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, anunciaram a saída do Acordo de Paris, enquanto a União Europeia e a China ainda não divulgaram suas metas para 2035.
Corrêa do Lago destacou que a prioridade é manter o aquecimento global abaixo de 1,5 °C em relação aos tempos pré-industriais. Ele lembrou que 2023 e 2024 registraram recordes de calor, tornando ainda mais urgente a necessidade de medidas eficazes.
Desafios do Brasil
O governo do presidente Lula quer que o Brasil seja referência no combate às mudanças climáticas. No entanto, enfrenta um dilema: embora esteja reduzindo o desmatamento da Amazônia, ainda investe na exploração de petróleo, sendo um dos maiores produtores do mundo.
Sobre a demora da China e da União Europeia em apresentar seus compromissos, Corrêa do Lago acredita que questões internas podem estar atrasando os planos, mas insiste que o mais importante é que as metas sejam ambiciosas. Ele também afirmou que o Brasil continuará dialogando com os EUA sobre mudanças climáticas, mesmo que o país tenha saído do Acordo de Paris.
Quanto à Argentina, que cogitou abandonar o Acordo sob o governo de Javier Milei, ele explicou que a permanência do país é essencial para aproveitar os benefícios do recente acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
O que esperar da COP30
Uma das principais discussões será sobre financiamento climático. O Brasil, junto com o Azerbaijão, deve apresentar propostas para ampliar os recursos destinados aos países em desenvolvimento. O objetivo é aumentar o valor aprovado na COP29, de US$ 300 bilhões (R$ 1,5 trilhão) por ano, para US$ 1,3 trilhão (R$ 6,5 trilhões.).
Outro tema importante é a redução do uso de combustíveis fósseis. Apesar do compromisso global para eliminá-los gradualmente, Corrêa do Lago ressaltou que cada país terá seu próprio caminho. Ele citou o exemplo da Alemanha, que precisou voltar a usar carvão depois de abandonar a energia nuclear, para mostrar que essa transição não é simples.
Papel da sociedade civil
Corrêa do Lago reconheceu a frustração da sociedade civil com a lentidão nas ações climáticas e destacou que sua participação é essencial. Ele acredita que a pressão popular pode acelerar decisões e garantir o cumprimento das metas estabelecidas.
A COP30 será uma oportunidade para o Brasil mostrar liderança na agenda ambiental, mas o país também precisará lidar com desafios internos e externos para alcançar resultados concretos.
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