O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou que vai ampliar consideravelmente os recursos destinados ao financiamento climático nos países da América Latina e do Caribe. A meta é atingir, até 2030, um total anual de US$ 11,3 bilhões — o equivalente à cerca de R$ 65,2 bilhões.
O objetivo é fortalecer ações voltadas à mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, estimular o desenvolvimento sustentável e aumentar a resiliência das populações da região frente a desastres ambientais.
O BID é uma instituição financeira internacional para financiar projetos de desenvolvimento econômico, social e institucional em países da América Latina e do Caribe. Com sede em Washington, nos Estados Unidos, o banco atua como uma das principais fontes de financiamento multilateral na região.

Seus recursos são usados por governos e empresas para viabilizar obras de infraestrutura, programas sociais, reformas administrativas e, mais recentemente, ações de combate às mudanças climáticas.
Financiamento climático será prioridade até 2030
O anúncio feito pelo banco está inserido em um esforço para que metade de todos os financiamentos da instituição estejam vinculados a iniciativas sustentáveis. Isso significa que o banco pretende destinar 50% de seus investimentos a projetos que tenham como foco a redução de emissões de gases de efeito estufa, a adaptação às mudanças climáticas e a preservação do meio ambiente.
Parte desses recursos será mobilizada por meio do BID Invest, o braço do da instituição financeira voltado ao setor privado. O BID Invest tem como função financiar projetos de empresas e atrair capital privado para ampliar o impacto das ações.
Segundo o plano apresentado, até 60% dos recursos de financiamento devem vir de parcerias com o setor privado, o que exige uma articulação ampla com investidores nacionais e internacionais.
Em 2023, o banco já havia investido US$ 7,5 bilhões (aproximadamente R$ 43,2 bilhões) em financiamento. A nova meta representa um aumento expressivo e sinaliza o fortalecimento da agenda ambiental na atuação do banco.
Além disso, a instituição prevê destinar US$ 25 bilhões (R$ 144,2 bilhões) até 2030 a projetos de adaptação e “duplo propósito”, isto é, que combinem benefícios climáticos e sociais ao mesmo tempo.
Foco em programas regionais e ações estruturantes
Para cumprir essas metas, o BID estruturou programas regionais que integram ações de proteção ambiental com desenvolvimento econômico. Um dos principais é o “Amazônia Sempre”, criado para apoiar o desenvolvimento sustentável da região amazônica, com foco na conservação da biodiversidade, no uso sustentável dos recursos naturais e no bem-estar das populações locais.
Outro exemplo é o “One Caribbean”, voltado à adaptação dos países caribenhos aos impactos das mudanças climáticas. A região é especialmente vulnerável a eventos extremos como furacões, inundações e aumento do nível do mar.
Já o programa “América en el Centro” foca nos países da América Central, buscando fortalecer políticas públicas ambientais e infraestrutura resiliente ao meio ambiente.
A ampliação do financiamento também está alinhada com as exigências de governos e organizações internacionais, que cobram dos bancos multilaterais maior participação na luta contra o aquecimento global e preservação do meio ambiente.
Esses bancos, como o BID, o Banco Mundial e o Banco Europeu de Investimento, são vistos como fundamentais para mobilizar recursos e criar mecanismos que permitam aos países em desenvolvimento adotarem soluções sustentáveis sem comprometer seu crescimento econômico.
Vale reforçar que, em novembro de 2025, o Brasil vai sediar a COP 30, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas. Ações de fomento e a criação de iniciativas sustentáveis estarão no centro das atenções, além de receberem mais destaque em relação à agenda global do clima.


