O aumento da tensão entre Irã e Israel pode trazer efeitos negativos para a produção agrícola no Brasil. Um dos principais motivos é o risco de encarecimento dos fertilizantes, especialmente a ureia, um insumo fundamental para lavouras como soja, milho e trigo. Com o conflito, a cadeia de fornecimento internacional pode ser afetada, elevando os custos para os produtores rurais.
A ureia, por exemplo, é um tipo de fertilizante rico em nitrogênio, usado para fortalecer o crescimento das plantas. Ela é aplicada no solo para melhorar o desenvolvimento das culturas. No Brasil, o uso da ureia é comum em diversas lavouras, mas o país não produz o suficiente para atender toda a demanda e, por isso, depende da importação.

O Irã é responsável por cerca de 17% da ureia importada pelo Brasil. É um dos maiores produtores do mundo, com exportação anual entre 4,5 e 5,5 milhões de toneladas. Caso o conflito com Israel se intensifique, há o risco de que essas exportações sejam interrompidas ou reduzidas.
Além disso, a própria produção de ureia está sendo afetada. Tanto Israel quanto o Irã reduziram a produção de gás natural — que é a matéria-prima usada para fabricar fertilizantes nitrogenados, como a ureia. Com menos oferta no mercado, o preço da ureia tende a subir ainda mais. A situação é preocupante porque muitos agricultores brasileiros ainda não compraram os insumos para a safra 2025/26.
Petróleo caro eleva custo de transporte e energia
Outro reflexo do conflito é o aumento no preço do petróleo. O Oriente Médio é uma região central para a produção e exportação de petróleo, e o Estreito de Ormuz — uma passagem marítima estratégica — pode ser afetado por bloqueios ou ataques. Por esse canal, passa grande parte do petróleo comercializado no mundo.
O aumento no valor do petróleo impacta diretamente o frete internacional (transporte por navio), os seguros de carga e o preço do diesel, combustível essencial para o transporte rodoviário e para o funcionamento de máquinas no campo. Isso representa mais uma fonte de pressão sobre os custos da produção agrícola no Brasil.
Esses efeitos já estão sendo sentidos nas negociações comerciais. Empresas que trabalham com exportação e importação estão reavaliando contratos e custos logísticos devido ao aumento da instabilidade e da imprevisibilidade das rotas marítimas.
Exportações agrícolas também podem ser afetadas por conflito
O Irã não é apenas fornecedor de fertilizantes. É também um dos compradores importantes de grãos brasileiros. Em 2024, por exemplo, comprou cerca de 4,3 milhões de toneladas de milho do Brasil — o equivalente a quase 11% das exportações brasileiras desse grão.
Com o conflito, existe o risco de que essa demanda diminua, seja por dificuldades logísticas ou por efeitos econômicos internos no Irã. Isso pode forçar os exportadores brasileiros a buscarem novos compradores ou adiarem vendas, o que também interfere na formação dos preços.
Enquanto isso, os preços de grãos como milho e trigo caíram nas bolsas internacionais, como em Chicago. O recuo aconteceu após algumas notícias apontarem para negociações de cessar-fogo. Apesar disso, o clima ainda é de muita incerteza, e os mercados seguem sensíveis a qualquer novidade relacionada ao conflito.
O impacto cambial também entra nesse cenário. Quando há crises geopolíticas, investidores internacionais costumam buscar ativos mais seguros, como o dólar e o petróleo. Isso pode valorizar o dólar em relação ao real, encarecendo produtos importados, como fertilizantes e máquinas agrícolas, mas também tornando as exportações brasileiras mais atrativas — já que ficam mais baratas para quem compra em dólar.
No entanto, o efeito líquido dessas mudanças é imprevisível, e a maior preocupação para os produtores no momento é garantir os insumos necessários com preços minimamente acessíveis. O risco de desabastecimento ou de aumento excessivo dos custos faz com que muitos repensem prazos e estratégias.


