Exportações agrícolas também podem ser afetadas por conflito
O Irã não é apenas fornecedor de fertilizantes. É também um dos compradores importantes de grãos brasileiros. Em 2024, por exemplo, comprou cerca de 4,3 milhões de toneladas de milho do Brasil — o equivalente a quase 11% das exportações brasileiras desse grão.
Com o conflito, existe o risco de que essa demanda diminua, seja por dificuldades logísticas ou por efeitos econômicos internos no Irã. Isso pode forçar os exportadores brasileiros a buscarem novos compradores ou adiarem vendas, o que também interfere na formação dos preços.
Enquanto isso, os preços de grãos como milho e trigo caíram nas bolsas internacionais, como em Chicago. O recuo aconteceu após algumas notícias apontarem para negociações de cessar-fogo. Apesar disso, o clima ainda é de muita incerteza, e os mercados seguem sensíveis a qualquer novidade relacionada ao conflito.
O impacto cambial também entra nesse cenário. Quando há crises geopolíticas, investidores internacionais costumam buscar ativos mais seguros, como o dólar e o petróleo. Isso pode valorizar o dólar em relação ao real, encarecendo produtos importados, como fertilizantes e máquinas agrícolas, mas também tornando as exportações brasileiras mais atrativas — já que ficam mais baratas para quem compra em dólar.
No entanto, o efeito líquido dessas mudanças é imprevisível, e a maior preocupação para os produtores no momento é garantir os insumos necessários com preços minimamente acessíveis. O risco de desabastecimento ou de aumento excessivo dos custos faz com que muitos repensem prazos e estratégias.


