O Brasil se prepara para ocupar um papel de destaque na agenda climática internacional. Em setembro de 2025, o país será anfitrião do Brazil Climate Summit NYC, evento que acontece no The Forum, da Universidade de Columbia, em Nova York, no dia 19, às vésperas da Assembleia Geral da ONU e da Climate Week NYC. O encontro reunirá investidores, empresários, representantes de governos e instituições multilaterais para discutir o futuro das cadeias produtivas globais diante dos compromissos de descarbonização.
Esta será a quarta edição do evento, que acontece em um momento estratégico. Com a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30, marcada para acontecer em novembro em Belém (PA), o país busca antecipar posicionamentos e mostrar-se como agente de transformação na corrida por uma economia de baixo carbono.

Entre os nomes confirmados está o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30. Ele deve reforçar o papel do Brasil como ponte entre os interesses do Sul Global e os compromissos internacionais de mitigação de emissões. Também participam executivos de grandes empresas, lideranças do mercado financeiro, autoridades públicas e representantes de iniciativas privadas ligadas à sustentabilidade.
De acordo com Marina Cançado, fundadora da Converge Capital e uma das idealizadoras do Brazil Climate Summit NYC, a proposta deste ano é consolidar a presença do Brasil nas discussões internacionais. “Reforçaremos o caráter internacional da conferência, antecipando posicionamentos do setor privado brasileiro e destacando a capacidade do país de oferecer alternativas reais para o cumprimento de metas globais de redução de emissões”, afirmou.
Cadeias de suprimentos e descarbonização
O tema central do Brazil Climate Summit NYC 2025 será a construção de cadeias globais de suprimentos resilientes, com foco na descarbonização das atividades econômicas. Setores-chave como agricultura, energia e indústria pesada estarão no centro dos debates.
Segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA), cerca de 36,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono foram emitidas globalmente em 2023. O Brasil respondeu por cerca de 2,2% desse total, com destaque para o desmatamento e o uso da terra como os principais vetores. Por outro lado, o país tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo: 47,4% da energia consumida no Brasil vem de fontes renováveis, segundo o Ministério de Minas e Energia. A média global é de apenas 14%.
A ambição agora é posicionar o Brasil como um fornecedor estratégico de soluções de baixo carbono, como biocombustíveis, hidrogênio verde, créditos de carbono, agricultura regenerativa e energia renovável.
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Brasil como parceiro confiável da COP30
Luciana Antonini Ribeiro, sócia da eB Capital e presidente do Brazil Climate Summit NYC 2025, destacou que a estratégia é colocar o país como “parceiro confiável para o mundo”, destacando que o Brasil possui vocação e recursos naturais para liderar a nova economia verde.
Durante o evento, será lançado o “Climate Report” produzido pelo Boston Consulting Group, que abordará como as soluções brasileiras podem ajudar a reduzir as emissões nas cadeias produtivas internacionais. O documento analisará os impactos econômicos e ambientais de iniciativas sustentáveis aplicadas ao agronegócio, à logística e à indústria energética brasileira.
A programação inclui painéis temáticos, sessões de matchmaking com investidores internacionais e rodadas de negócios focadas em propostas concretas. A ideia é criar pontes entre capital internacional e projetos brasileiros com alto potencial de impacto ambiental e retorno econômico.
Desafios regulatórios e financeiros
Apesar do potencial, há entraves a serem superados. Segundo Jorge Hargrave, diretor da consultoria Maraé, o Brasil precisa garantir estabilidade regulatória, dispor de instrumentos financeiros eficazes e ocupar espaço estratégico nos fóruns globais. “Sem isso, não conseguiremos aproveitar o protagonismo que temos como potência ambiental”, afirmou.
A instabilidade política e a insegurança jurídica ainda são obstáculos para investimentos de longo prazo no setor climático. Dados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apontam que, em 2024, apenas 1,2% do crédito total concedido no país foi direcionado a projetos com foco climático, o equivalente a R$ 17 bilhões. Para efeito de comparação, países como Alemanha e Reino Unido destinaram cerca de R$ 134 bilhões e R$ 112 bilhões, respectivamente, para iniciativas verdes no mesmo período.
Rumo à COP30
Com a COP30 se aproximando, o Brazil Climate Summit NYC será uma espécie de ensaio geral. A conferência da ONU que será realizada em Belém, pela primeira vez na Amazônia, colocará o Brasil sob os holofotes. A expectativa é que o país utilize o evento para firmar compromissos concretos, atrair investimentos e influenciar decisões sobre financiamento climático.
O encontro em Nova York antecipa as pautas que estarão em debate na COP e mostra que, apesar dos desafios, o Brasil está se preparando para ser mais do que expectador: quer ser protagonista da transição global para uma economia de baixo carbono.
*Entrevistas concedidas a CNN.


