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Número de países confirmados na COP30 sobe para 61, mas logística preocupa organizadores

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A Secretaria Extraordinária para a COP30 (Secop) informou nesta sexta-feira, 29 de agosto, que 61 países já confirmaram presença na 30ª Conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre Mudanças Climáticas, marcada para ocorrer em Belém (PA), entre 10 e 21 de novembro de 2025.

A COP30 já tem 61 países confirmados,
O anúncio ocorre uma semana após a presidência do evento ter criado uma “força-tarefa” para acelerar as confirmações das delegações | Foto: Reprodução / Divulgação / COP 30

Na semana anterior, o governo federal havia divulgado que apenas 47 das 196 delegações convidadas haviam reservado acomodações na capital paraense. Agora, segundo a Secop, mais de 40 países já garantiram hospedagem por meio da plataforma oficial do governo brasileiro, enquanto outras 33 delegações continuam em tratativas para viabilizar a participação. Entre os confirmados estão Japão, Espanha, Noruega, Portugal, Arábia Saudita, Egito, República Democrática do Congo e Singapura.

Apesar do avanço, a logística da conferência continua sendo um ponto de atenção. Representantes da COP30, da ONU e do governo brasileiro se reuniram recentemente por cerca de três horas para discutir soluções para os países que ainda não haviam confirmado presença. O encontro contou com a participação do presidente da COP30, André Corrêa do Lago, da secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, e do secretário extraordinário da Secop, Valter Correia.

Na reunião, a ONU solicitou que o Brasil auxiliasse financeiramente os países que enfrentam dificuldades com hospedagem em Belém. O governo brasileiro negou, pedindo que a própria ONU ampliasse sua contribuição. Delegações de países africanos chegaram a protocolar, junto à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), um pedido para que fosse considerada a mudança de sede da COP30, em razão do elevado custo de hospedagem na capital paraense.

Previsão de público e impacto local

De acordo com estimativas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a COP30 deve atrair mais de 40 mil visitantes a Belém durante os principais dias da conferência. Desse total, cerca de 7 mil fazem parte da chamada “família COP”, composta por equipes da ONU e delegações oficiais.

O grande volume de participantes representa um desafio logístico para a cidade, que tem infraestrutura limitada em relação à rede hoteleira, transporte urbano e serviços básicos. A pressão sobre a capacidade de hospedagem já gerou polêmicas e continua sendo um dos principais entraves para a organização do evento.

O significado da COP30 para o Brasil

A COP30 é a 30ª edição da Conferência das Partes da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima, considerada o principal fórum internacional sobre o tema. Realizada anualmente, a conferência reúne líderes mundiais, cientistas, representantes da sociedade civil e organizações não governamentais para discutir medidas de combate às mudanças climáticas.

A escolha de Belém como sede tem forte peso simbólico. Pela primeira vez, uma COP será realizada na Amazônia, região central no debate climático global devido à sua importância para o equilíbrio ambiental e por ser lar de povos indígenas e comunidades tradicionais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a relevância de discutir o futuro da floresta diretamente em seu território. “Uma coisa é discutir a Amazônia no Egito; outra coisa é discutir a Amazônia em Berlim; outra coisa é discutir a Amazônia em Paris. Agora, não. Agora nós vamos discutir a importância da Amazônia dentro da Amazônia. Nós vamos discutir a questão indígenas, vendo os indígenas. Nós vamos discutir a questão dos povos ribeirinhos, vendo os povos ribeirinhos e vendo como eles vivem”, afirmou Lula.

Entre os assuntos centrais da COP30 estão:

  • Redução de emissões de gases de efeito estufa;
  • Adaptação às mudanças climáticas;
  • Financiamento climático para países em desenvolvimento;
  • Tecnologias de energia renovável e soluções de baixo carbono;
  • Preservação de florestas e biodiversidade;
  • Justiça climática e impactos sociais da crise climática.

Além de pautar a agenda internacional, o evento é visto como oportunidade para o Brasil reafirmar seu papel nas negociações multilaterais sobre sustentabilidade. O país pretende destacar seus esforços em áreas como energias renováveis, biocombustíveis e agricultura de baixo carbono, reforçando sua tradição em fóruns ambientais, que inclui eventos como a Eco-92 e a Rio+20.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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