O Banco Mundial foi autorizado a atuar como anfitrião interino (temporário) e gestor financeiro do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativa global liderada pelo Brasil para proteger ecossistemas tropicais e financiar comunidades locais. O anúncio aconteceu após uma decisão oficial divulgada em 21 de outubro de 2025.
O TFFF tem como objetivo garantir recursos contínuos a países que preservarem suas florestas, estabelecendo um modelo de pagamentos por resultados, em contraposição ao modelo tradicional de doações. A instituição será responsável por gestão financeira, governança e repasses aos países beneficiados.
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Escala de mobilização de recursos e meta de desembolso
O mecanismo almeja reunir cerca de US$ 125 bilhões (aproximadamente R$ 700 bilhões, considerando câmbio próximo de R$ 5,60/US$) em capital público e privado para estruturar o fundo.
Dentro desse montante, espera-se um fluxo anual de cerca de US$ 4 bilhões (aproximadamente R$ 22,4 bilhões) destinados à conservação de florestas tropicais nos países participantes. Esses valores colocam o fundo entre os maiores mecanismos de financiamento climático voltados à natureza já propostos, e refletem a urgência em ampliar aportes em biomas críticos para o clima global.
Critérios de participação e pagamento por hectare
Para que os países sejam elegíveis a receber os repasses, devem atender a critérios como taxa de desmatamento anual inferior a 0,5% de sua área florestal e mostrar tendência de queda no desmatamento.
O modelo de pagamento prevê repassar cerca de US$ 4 por hectare preservado (aproximadamente R$ 22 por hectare) a cada ano. Por outro lado, há penalidades previstas — por exemplo, deduções de US$ 100 a US$ 800 por hectare degradado ou desmatado.
Esses mecanismos buscam incentivar a conservação contínua da vegetação nativa e criar um ambiente de pagamentos previsíveis para países que mantêm florestas em pé.
O papel do Brasil e da governança internacional
O Brasil propôs o TFFF durante a COP28 em Dubai, em 2023, e a implementação efetiva está prevista para a COP30, em Belém, no Pará, ainda em 2025.
Em evento preparatório, representantes de 11 países, além da União Europeia e do Banco Mundial, reuniram-se em Londres e manifestaram apoio à iniciativa.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, pelo menos 20% dos recursos devem ser destinados diretamente a povos indígenas e comunidades tradicionais que participam da conservação.
A governança do fundo, sua transparência e modelo de investimento — que combina capital público e privado — têm sido destacados como diferenciadores em relação aos mecanismos ambientais anteriores.
Impactos para o Brasil e para as florestas tropicais
Com o Brasil abrigando a maior floresta tropical do mundo — a Amazônia — o país aparece como beneficiário potencial relevante desse mecanismo. Estimativas iniciais indicam que se 1 bilhão de hectares de floresta tropical fossem protegidos num ano, os pagamentos poderiam alcançar US$ 4 bilhões, aproximadamente R$ 22,4 bilhões.
Para o Brasil, especificamente, considerando sua área florestal estimada em 328 milhões de hectares na Amazônia, o valor poderia girar em torno de US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 7,3 bilhões) por ano. Esses recursos adicionais poderiam financiar políticas de monitoramento, combate ao desmatamento, proteção de comunidades tradicionais e restauração florestal.
Desafios técnicos, financeiros e de implementação
Apesar das expectativas positivas, a iniciativa enfrenta obstáculos. O modelo exige mobilização internacional de grande escala, estruturação financeira sofisticada e credibilidade para atrair investidores privados.
Além disso, organizações da sociedade civil, como a Greenpeace International, alertam para a necessidade de critérios robustos de governança, participação das comunidades e mecanismos eficazes de monitoramento para evitar falhas observadas em fundos anteriores.
Outro desafio é garantir que o montante dos pagamentos — US$ 4 por hectare — seja suficientemente competitivo frente aos incentivos econômicos para o desmatamento ou uso alternativo da terra.
No plano interno, o Brasil precisará fortalecer sua capacidade de monitoramento florestal, transparência de dados e cumprimento das exigências de elegibilidade para receber os pagamentos.


