IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%

Banco Mundial assume gestão temporária do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, iniciativa global liderada pelo Brasil

Por

·

O Banco Mundial foi autorizado a atuar como anfitrião interino (temporário) e gestor financeiro do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativa global liderada pelo Brasil para proteger ecossistemas tropicais e financiar comunidades locais. O anúncio aconteceu após uma decisão oficial divulgada em 21 de outubro de 2025.

O TFFF tem como objetivo garantir recursos contínuos a países que preservarem suas florestas, estabelecendo um modelo de pagamentos por resultados, em contraposição ao modelo tradicional de doações. A instituição será responsável por gestão financeira, governança e repasses aos países beneficiados.

Leia também: A bioeconomia da beleza: o Brasil no centro da inovação sustentável global

Preservação da floresta amazônica como peça-chave do novo mecanismo internacional de financiamento climático | Foto: Reprodução/Canva

banco
Preservação da floresta amazônica como peça-chave do novo mecanismo internacional de financiamento climático | Foto: Reprodução/Canva

Escala de mobilização de recursos e meta de desembolso

O mecanismo almeja reunir cerca de US$ 125 bilhões (aproximadamente R$ 700 bilhões, considerando câmbio próximo de R$ 5,60/US$) em capital público e privado para estruturar o fundo.

Dentro desse montante, espera-se um fluxo anual de cerca de US$ 4 bilhões (aproximadamente R$ 22,4 bilhões) destinados à conservação de florestas tropicais nos países participantes. Esses valores colocam o fundo entre os maiores mecanismos de financiamento climático voltados à natureza já propostos, e refletem a urgência em ampliar aportes em biomas críticos para o clima global.

Critérios de participação e pagamento por hectare

Para que os países sejam elegíveis a receber os repasses, devem atender a critérios como taxa de desmatamento anual inferior a 0,5% de sua área florestal e mostrar tendência de queda no desmatamento.

O modelo de pagamento prevê repassar cerca de US$ 4 por hectare preservado (aproximadamente R$ 22 por hectare) a cada ano. Por outro lado, há penalidades previstas — por exemplo, deduções de US$ 100 a US$ 800 por hectare degradado ou desmatado.

Esses mecanismos buscam incentivar a conservação contínua da vegetação nativa e criar um ambiente de pagamentos previsíveis para países que mantêm florestas em pé.

O papel do Brasil e da governança internacional

O Brasil propôs o TFFF durante a COP28 em Dubai, em 2023, e a implementação efetiva está prevista para a COP30, em Belém, no Pará, ainda em 2025.

Em evento preparatório, representantes de 11 países, além da União Europeia e do Banco Mundial, reuniram-se em Londres e manifestaram apoio à iniciativa.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, pelo menos 20% dos recursos devem ser destinados diretamente a povos indígenas e comunidades tradicionais que participam da conservação.

A governança do fundo, sua transparência e modelo de investimento — que combina capital público e privado — têm sido destacados como diferenciadores em relação aos mecanismos ambientais anteriores.

Impactos para o Brasil e para as florestas tropicais

Com o Brasil abrigando a maior floresta tropical do mundo — a Amazônia — o país aparece como beneficiário potencial relevante desse mecanismo. Estimativas iniciais indicam que se 1 bilhão de hectares de floresta tropical fossem protegidos num ano, os pagamentos poderiam alcançar US$ 4 bilhões, aproximadamente R$ 22,4 bilhões.

Para o Brasil, especificamente, considerando sua área florestal estimada em 328 milhões de hectares na Amazônia, o valor poderia girar em torno de US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 7,3 bilhões) por ano. Esses recursos adicionais poderiam financiar políticas de monitoramento, combate ao desmatamento, proteção de comunidades tradicionais e restauração florestal.

Desafios técnicos, financeiros e de implementação

Apesar das expectativas positivas, a iniciativa enfrenta obstáculos. O modelo exige mobilização internacional de grande escala, estruturação financeira sofisticada e credibilidade para atrair investidores privados.

Além disso, organizações da sociedade civil, como a Greenpeace International, alertam para a necessidade de critérios robustos de governança, participação das comunidades e mecanismos eficazes de monitoramento para evitar falhas observadas em fundos anteriores.

Outro desafio é garantir que o montante dos pagamentos — US$ 4 por hectare — seja suficientemente competitivo frente aos incentivos econômicos para o desmatamento ou uso alternativo da terra.

No plano interno, o Brasil precisará fortalecer sua capacidade de monitoramento florestal, transparência de dados e cumprimento das exigências de elegibilidade para receber os pagamentos.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade