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Pegada de carbono: entenda o que é e como ela afeta a economia

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A pegada de carbono é o total de gases de efeito estufa liberados na atmosfera por causa das nossas atividades diárias — como dirigir, produzir alimentos, fabricar produtos e até usar energia elétrica. Cada ação deixa uma “marca” no meio ambiente, e essa soma é o que os especialistas chamam de pegada de carbono.

Essas emissões aumentam a temperatura do planeta e estão ligadas a fenômenos como secas, enchentes e ondas de calor, que afetam a vida e a economia.

Como explica Gabriela Lujan Brollo, da consultoria de negócios BIP Brasil, “a crise climática deixou de ser um papo para ambientalista”. O tema passou a fazer parte da rotina de governos, empresas e também das famílias, que já sentem os efeitos das mudanças climáticas no bolso e na qualidade de vida.

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Durante evento com a B4, Dengo e BIP Brasil, especialistas discutiram sobre a emissão de carbono e o impacto na sociedade | Foto: Reprodução/Canva
Durante evento com a B4, (a Bolsa de Ação Climática do Brasil) e as empresas Dengo e BIP Brasil, especialistas discutiram sobre a emissão de carbono e o impacto na sociedade | Foto: Reprodução/Canva

Como o carbono impacta a economia?

O carbono está no centro das discussões econômicas porque representa custo, risco e oportunidade. Empresas que poluem mais precisam investir em compensações ou pagar taxas. Já aquelas que reduzem ou neutralizam suas emissões ganham espaço e valorização no mercado.

Segundo Odair Rodrigues, CEO da B4 (Bolsa de Ação Climática do Brasil): “A negociação de carbono é uma dívida e isso faz com que as pessoas olhem de formas diferentes”.

A fala reforça que o carbono virou parte da contabilidade empresarial e lidar com ele é tão essencial quanto equilibrar as finanças. Com o avanço da COP30, o tema ganha ainda mais relevância, pois a conferência deve definir novas metas e incentivar políticas de sustentabilidade que afetam diretamente a economia global.

O que muda para a população?

O debate sobre carbono também chega ao dia a dia da população. Produtos e serviços sustentáveis tendem a custar mais, mas geram benefícios coletivos, como ar mais limpo, menor impacto ambiental e novas oportunidades de trabalho verde.

A Dengo, empresa brasileira de chocolates, mostra como o consumo pode ser ferramenta de transformação, considerando que são referências em questões de sustentabilidade.

“A Dengo é um negócio de impacto e não uma marca. Nós pensamos nas pessoas, focamos no pequeno produtor e no processo”, explica Bárbara Alda, líder de loja e especialista em experiência do cliente.

Ela destaca que o objetivo da marca vai além do lucro:

“Nosso modelo de negócio não é o chocolate, são as pessoas”.

Esse olhar humano reflete um novo tipo de economia, que busca conciliar resultado financeiro e impacto positivo. “Além da renda, nós geramos dignidade. Pagamos de 70% a 245% a mais para produtos com boa qualidade e o consumidor final não é impactado por essa movimentação”, reforça Bárbara.

O que muda para as empresas quando se tornam regenerativas?

Empresas regenerativas não apenas compensam o que emitem, elas trabalham para reconstruir o que foi degradado. É uma mudança de mentalidade: em vez de apenas “reduzir o dano”, o foco passa a ser “criar valor e devolver ao planeta”.

Como resume Gabriela Lujan Brollo, da BIP Brasil, “a regeneração é a ponte entre o que destruímos e o que ainda podemos reconstruir”.

Essa transformação exige investimento, inovação e tempo. No caso de empresas B2C (que vendem diretamente ao consumidor), as mudanças tendem a ser mais rápidas, pois o público valoriza produtos sustentáveis e responde bem às novas práticas. Já no B2B (empresas que vendem para outras empresas), o processo é mais demorado, porque depende de ajustes em toda a cadeia produtiva.

Com isso, Ana Lindner, especialista em dados da BIP Brasil, afirma que é importante que empresas lidem e tratem os dados, para entender passo a passo do processo, além de compreender e mapear o impacto que essas movimentações possuem na sociedade.

Compensação x Regeneração: entenda a diferença

A compensação de carbono é quando uma empresa calcula suas emissões e investe em projetos que neutralizam esse impacto — como o plantio de árvores ou o uso de energias limpas.

A regeneração, por outro lado, vai além: busca restaurar ecossistemas e comunidades, criando um ciclo de impacto positivo que permanece no tempo.

Ou seja, compensar é “pagar pelo dano”, regenerar é “transformar o que foi danificado”.

O futuro das ações climáticas

Com a COP30 se aproximando, a expectativa é de que o Brasil fortaleça sua posição no mercado de carbono e atraia mais investimentos para projetos sustentáveis.

“A COP30 pode impactar diretamente o dia a dia e a discussão sobre esse tema, pois ela abre espaço para falar sobre ambiente e sustentabilidade”, afirma Bárbara, da Dengo.

O avanço dessas práticas mostra que sustentabilidade e regeneração deixaram de ser conceitos distantes. Elas já estão moldando a forma como consumimos, produzimos e pensamos o futuro — um futuro que, inevitavelmente, passa por repensar nossa relação com o carbono.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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