A cidade de Belém, no Pará, receberá a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, conhecida como COP30, entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025. Segundo levantamento da revista Exame, o estado do Pará mobilizou aproximadamente R$ 7,2 bilhões em investimentos para preparar a cidade-anfitriã.
O governo estadual paraense anunciou obras como saneamento básico, macrodrenagem de canais e parques lineares com investimentos individuais como R$ 124.058.189,46, R$ 156.936.600,47 e R$ 115.780.199,84 respectivamente.
Além disso, medidas específicas para o evento incluem qualificação da rede hoteleira, com o governo federal destinando valores para adequação da infraestrutura local.
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Esses aportes têm gerado efeito multiplicador imediato na economia local dos setores de serviços, turismo, construção civil e comércio. A expectativa de aumento de atividades se reflete no número de visitantes e na demanda por hospedagem, alimentação e transporte.

Por que as coisas estão tão caras em Belém?
A expectativa de mais de 40 mil pessoas, entre delegados, jornalistas, fornecedores e turistas, pressionou fortemente os preços em Belém. A inflação acumulada nos últimos 12 meses na capital paraense foi de 5,48%, acima da média nacional de 4,65%.
No setor de alimentação e bebidas, houve alta de 1,17% apenas em março, com esse grupo respondendo por 45% da inflação mensal da cidade.
Em hospedagem, o desafio é ainda maior. Os preços das diárias em hotéis em Belém aumentaram entre 10 e 15 vezes os valores normais, em razão da elevada demanda para o evento.
Além disso, uma reunião da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre a COP30 apontou que o auxílio diário para delegações de países menos desenvolvidos era de US$ 144 (cerca de R$ 805, considerando câmbio de R$ 5,60/US$) enquanto tarifas de hospedagem chegavam a US$ 200 a US$ 3.700 (equivalente a R$ 1.120 a R$ 20.700).
Essa discrepância entre oferta limitada de leitos, alto custo de hospedagem e aumento de demanda explica, em parte, o encarecimento dos serviços locais — o que impacta tanto visitantes quanto moradores da cidade.
Economia local e setores beneficiados
A COP30 traz oportunidades para o turismo, o comércio e a bioeconomia. No setor rural, por exemplo, a exigência de que pelo menos 30% da alimentação usada no evento venha da agricultura familiar e comunidades tradicionais em torno de Belém pode injetar R$ 3,3 milhões na economia rural da região amazônica.
Para o setor de tecnologia e inovação, o projeto do Centro de Inovação e Bioeconomia de Belém (CIBB) fará parte do legado da COP30. A obra, apoiada por convênio com a Itaipu Binacional, hospedará cerca de 20 startups belenenses.
Essas iniciativas projetam impacto não apenas imediato, mas também de longo prazo, ampliando a diversificação da economia local para além dos segmentos tradicionais.
Reflexos negativos e desafios para moradores e visitantes
Apesar das oportunidades, há impactos adversos. A alta de preços pode deixar a população mais vulnerável: o custo maior de hospedagem, alimentação e transporte empurra para cima o custo de vida. Economistas alertam que após o evento alguns preços dificilmente voltarão aos patamares anteriores, o efeito de “pós-evento” pode durar entre três e seis meses ou mais.
Além disso, foram relatadas remoções de moradores para dar lugar a acomodações de curto prazo visando realizar a transformação em apartamentos de aluguéis temporários para o evento.
A organização do evento manifestou preocupação com os valores praticados pela rede hoteleira de Belém. Segundo o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, “os preços de hotéis em Belém precisam diminuir”.
Do ponto de vista das empresas, a inflação e os custos elevados podem encarecer a operação de hospedagem, alimentação e logística para delegações, impactando a viabilidade de participação de países mais vulneráveis.
O que isso significa para o público das classes C e D
Para pessoas das classes C e D que vivem em Belém ou que podem se deslocar para o evento como acompanhantes ou trabalhadores temporários, o cenário é misto. Por um lado, há chance de geração de renda com serviços, comércio e emprego temporário. A FAQ oficial da COP30 destaca que o evento pode criar empregos temporários e movimentar os setores de hospedagem, turismo e comércio.
Por outro lado, a alta generalizada de preços significa que mesmo quem não participa diretamente do evento pode sentir o impacto no custo de vida — alimentação mais cara, transporte mais congestionado, aluguéis de temporada que sobem ou ocupam imóveis que seriam usados por moradores.
Além disso, os benefícios econômicos podem não se distribuir uniformemente, e o aumento do custo de vida pode gerar pressão orçamentária para famílias de renda menor.
Infraestrutura, legado e sustentabilidade
Além dos efeitos econômicos imediatos, a preparação para a COP30 inclui obras de infraestrutura que devem durar além do evento. Os aportes de mais de R$ 124 milhões e R$ 156 milhões em saneamento e macrodrenagem visam melhorar a qualidade urbana de Belém.
O evento também coloca em foco a bioeconomia, a inovação e a sustentabilidade como segmentos estratégicos para o futuro da região amazônica. A expectativa é de que a COP30 gere não apenas visibilidade internacional, mas também novas cadeias de valor para o estado do Pará.


