A primeira semana: negociações aceleradas, discursos fortes e disputas em torno da agenda
Ao contrário das últimas quatro conferências, que começaram emperradas por falta de consenso, Belém conseguiu aprovar a agenda logo no primeiro dia. Isso só foi possível porque o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, decidiu adotar uma estratégia de “ritmo duplo”: seguir com 145 pontos consensuais enquanto negociava separadamente os quatro itens mais sensíveis.
Esse movimento evitou o atraso típico das COPs e permitiu que temas técnicos avançassem rapidamente. Pelo menos vinte desses itens envolviam divergências entre países ricos e nações em desenvolvimento, principalmente sobre financiamento, regras de transparência e comércio internacional.
A primeira semana também foi marcada por falas que mexeram com os bastidores. Embora fora da agenda oficial, o presidente Lula defendeu abertamente a construção de um roteiro global para reduzir a dependência de combustíveis fósseis. A proposta ganhou apoio informal de Alemanha, Reino Unido e outros países que, segundo suas delegações, acompanhariam o Brasil caso surgisse um documento estruturado.
Ao mesmo tempo, discussões sobre financiamento dominaram encontros paralelos. O compromisso de US$ 100 bilhões (cerca de R$ 540 bilhões) por ano para países em desenvolvimento voltou ao centro das conversas. Agora, com cálculos atualizados, o valor necessário para financiar adaptação e mitigação pode chegar a US$ 1,3 trilhão anuais (aproximadamente R$ 7,48 trilhões). O relatório “De Baku a Belém”, escrito por Azerbaijão e Brasil, organizou alternativas, mas não resolveu o impasse.
Enquanto isso, as quatro questões mais difíceis ficaram sem consenso: quanto dinheiro os países desenvolvidos devem colocar no financiamento climático; como elevar a ambição das metas nacionais (NDCs); como medir o cumprimento dessas metas; e como lidar com medidas comerciais unilaterais, como regras da União Europeia sobre importação de produtos ligados ao desmatamento.

