Otimismo no Brasil, resistência na França
Neste ano, o governo e a diplomacia do Brasil reforçaram seu otimismo.
“Minha intenção é assinar esse acordo ainda este ano”, afirmou Lula em um evento na semana passada.
Maurício Lyrio, principal negociador do Ministério das Relações Exteriores (MRE) para o acordo, destacou que o governo está confiante. “Enxergamos de forma positiva o andamento das negociações”, disse ele.
Segundo o governo brasileiro, os negociadores de ambos os blocos concluíram os ajustes no texto, e as questões finais foram encaminhadas aos líderes do Mercosul e da União Europeia.
Na prática, isso indica que a decisão sobre a conclusão do acordo agora depende da vontade política dos dois blocos.
No entanto, o otimismo brasileiro contrasta novamente com a oposição de um influente membro da União Europeia: a França.
Há anos, o país tenta impedir o avanço do acordo, e em 2024, o presidente Macron fez declarações reiterando sua posição contrária.
“A França é contra esse acordo”, afirmou Macron em novembro, durante uma visita oficial a Buenos Aires.
A resistência francesa é motivada principalmente pela pressão de agricultores locais, que temem a concorrência dos produtos do Mercosul, especialmente carne proveniente de Brasil, Argentina e Uruguai.
Embora seja a segunda maior economia da União Europeia, atrás apenas da Alemanha, a França não possui poder técnico para bloquear sozinha o avanço do acordo negociado pela Comissão Europeia.
“Se os franceses não quiserem o acordo, eles não têm mais voz. Quem decide é a Comissão Europeia”, comentou Lula na semana passada.
Por isso, a França tem adotado nos últimos meses uma estratégia para tentar frear as negociações.


