Impacto de Trump
Os analistas apontam que, apesar da resistência francesa, um fator adicional pode facilitar o avanço nas negociações do acordo entre o Mercosul e a União Europeia: a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos.
De acordo com especialistas, a intenção de Trump em importar tarifas sobre produtos estrangeiros pode estimular uma cooperação mais próxima entre sul-americanos e europeus para lidar com um possível aumento do protecionismo norte-americano.
“É relevante destacar que a primeira assinatura do acordo, em 2019, foi influenciada pela eleição de Trump. Agora, há chances de que este novo mandato crie uma oportunidade para avançar no tratado de livre comércio”, avaliou Cairo Junqueira.
Para Regiane Bressan, os países europeus que apoiam o acordo, liderados por Alemanha e Espanha, veem o tratado com o Mercosul como uma iniciativa estratégica frente às incertezas geopolíticas atuais.
“Esses países estão preocupados com o impacto de Trump e com o aumento da influência de nações como China e Rússia na América do Sul. No caso da Alemanha, o acordo é uma maneira de fortalecer ou preservar a presença europeia na região, em um cenário de crescente protagonismo chinês e russo”, afirmou.
Duas décadas de tratativas
As negociações para o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia começaram em 1999, visando reduzir ou eliminar tarifas de importação entre os blocos. Em 2019, o acordo foi assinado no governo Bolsonaro (PL), mas dependia de revisão técnica e aprovação parlamentar.
Após quatro anos parado, as tratativas foram retomadas com a posse de Lula (PT), mas avançam lentamente devido a questões ambientais e resistências, como do agronegócio francês. Apesar de próximo de uma conclusão em 2023, o acordo ainda não foi formalizado. Estudos indicam que ele pode aumentar o PIB brasileiro e impulsionar investimentos e comércio exterior.
Leia também: Chefe da UE vai ao Uruguai em apoio a acordo com Mercosul


