Espanha e Grécia, antes símbolos de crises econômicas devastadoras, agora lideram o crescimento da zona do euro. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia espanhola deve crescer 2,9% em 2024, o maior índice entre as economias avançadas, enquanto a Grécia projeta um crescimento de 2,3%.
Enquanto isso, gigantes como Alemanha e França enfrentam dificuldades, reforçando a importância dos países do sul no equilíbrio econômico europeu.
As raízes da recuperação
Durante a Grande Recessão de 2008, ambos os países foram severamente atingidos. Na Espanha, a explosão da bolha imobiliária causou desemprego em massa e recessão. Já a Grécia enfrentou um colapso financeiro em 2010, com déficits elevados e a necessidade de empréstimos emergenciais da União Europeia e do FMI.
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Para superar esses desafios, os dois países adotaram medidas austeras e atraíram investimentos externos. Apesar de avanços significativos, o cenário foi novamente abalado pela pandemia de 2020. O impacto foi sentido de forma mais acentuada na Espanha, cuja economia contraiu 11% devido à dependência do turismo.
Turismo como motor de crescimento
Após a pandemia, o turismo emergiu como o principal motor da recuperação econômica. Na Espanha, 2024 deve bater recordes, com previsão de mais de 65 milhões de turistas internacionais. O “gasto de vingança” — desejo de consumir após os confinamentos — acelerou essa retomada.
Na Grécia, o setor também impulsionou o crescimento. Dados da Confederação Grega de Turismo mostram que, entre janeiro e agosto de 2024, o país recebeu 27,7 milhões de visitantes, superando os números pré-pandemia. O Banco da Grécia projeta mais de 35 milhões de turistas este ano, consolidando o setor como um pilar da economia.
Investimentos e confiança renovada
Além do turismo, a recuperação foi impulsionada por investimentos significativos. O pacote de ajuda de 750 bilhões de euros aprovados pela União Europeia em 2020 beneficiou tanto Espanha quanto Grécia. Empresas como Microsoft e Pfizer realizaram grandes investimentos, especialmente na Grécia, atraídas pela estabilidade política e incentivos financeiros.
O aumento do salário mínimo na Grécia, aliado à mudança de governo em 2019, reforçou a confiança dos investidores e impulsionou a demanda interna. Na Espanha, o crescimento também foi favorecido pela produtividade, impulsionada por um fluxo crescente de imigração e aumento das exportações de serviços.
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Desafios persistentes
Apesar dos avanços, desafios permanecem. Na Espanha, a inflação e a percepção de perda de poder aquisitivo têm gerado descontentamento. Muitos trabalhadores sentem que seus salários não acompanham o custo de vida, enquanto os impostos continuam elevados.
Na Grécia, o excesso de turismo causa impactos negativos, como escassez de água e aumento nos preços de moradias. Cidades turísticas como Mykonos e Santorini enfrentam dificuldades para equilibrar as demandas dos visitantes com as necessidades dos moradores locais.
O futuro da economia no sul da Europa
Espanha e Grécia mostram que, mesmo após crises devastadoras, é possível reconstruir economias de maneira sólida e sustentável. O turismo, os investimentos estrangeiros e a recuperação do mercado de trabalho são exemplos de como esses países se reinventaram.
Embora enfrentem desafios como inflação, excesso de turismo e desigualdade, o crescimento consistente coloca Espanha e Grécia como potências econômicas emergentes na União Europeia. O futuro dependerá de como os governos continuarão a equilibrar as demandas de desenvolvimento econômico com as necessidades da população.


