IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%

Trump e as tarifas: como o Brasil pode ser afetado?

Por

·

Negociação e impactos

A retórica de Trump faz parte de sua estratégia de negociação, sendo usada para persuadir outros países a atender aos interesses dos Estados Unidos. Após suas ameaças contra o Canadá e o México, os líderes desses países rapidamente buscaram conversar com o presidente eleito.

“Trump tem um histórico de utilizar tarifas e fez isso de maneira bastante dramática em seu primeiro mandato. No entanto, ele também recorre às ameaças para pressionar outros países a responderem”, afirma Deardorff.

“Neste caso (do Brics), é mais provável que ele use essa abordagem. Tarifas de 100% seriam uma medida excessiva e baseada em uma justificativa imprecisa. Não parece realista, e seria surpreendente se ele realmente levasse essa ameaça adiante”, complementa o professor da Universidade de Michigan.

De acordo com Deardorff, a opção mais provável é que Trump busque obter algum tipo de compromisso desses países.

“Promessas que seriam difíceis de serem cumpridas. Mas ele poderia alegar ter alcançado uma vitória com o uso dessa ameaça”, acrescenta.

McDowell também considera improvável que os Estados Unidos imponham tarifas de 100% aos países do Brics ou qualquer outro país.

“Não diria que é uma ameaça vazia, pois Trump tem um histórico de usar tarifas como instrumento de negociação. No entanto, acredito que essa ameaça seja exagerada”, diz o professor da Universidade de Syracuse.

“Ele pode até saber que o risco de uma moeda do Brics não é real, mas fazer essa ameaça agora e, dentro de alguns meses, afirmar que a moeda não aconteceu devido à sua ameaça”, sugere McDowell.

“Ele gosta de se mostrar vencedor, e isso pode ser parte de sua estratégia.”

Para Castro, da AEB, “mesmo que as declarações de Trump possam ter algum exagero, essa situação gera preocupação em geral”.

“O Brasil não tem preços competitivos, e uma sobretaxa faria com que nossos produtos ficassem ainda mais caros. Isso nos impediria de exportar, especialmente os produtos manufaturados”, explica.

Castro também destaca que a guerra comercial dos EUA com a China afeta o Brasil, que “poderia ser invadido por produtos chineses”. “A China transferirá para outros mercados, como o Brasil, o que deixaria de vender para os EUA”, observa.

Se os EUA realmente impusessem tarifas aos produtos do Brics, o impacto negativo também seria sentido na economia americana, com o fortalecimento do dólar e o aumento dos preços nos EUA, o que poderia ampliar o déficit comercial.

Isso resultaria em preços mais altos para os consumidores americanos, aumentando o risco de inflação e, consequentemente, a necessidade de elevar as taxas de juros.

“É certo que, quando se impõem tarifas sobre importações, isso eleva o preço desses produtos para os compradores nos EUA, muitos dos quais não são consumidores finais, mas empresas que utilizam esses insumos na sua produção”, explica Deardorff.

“Isso aumenta os custos e, portanto, os preços, não só dos produtos importados, mas também dos bens produzidos nos EUA.”

“Além disso, haveria retaliação, com os países afetados por essas tarifas provavelmente respondendo com tarifas próprias”, lembra McDowell, citando o caso da China desde 2018.

“Isso poderia resultar em uma guerra comercial mais intensa entre os países, o que não seria benéfico para ninguém.”

Leia também: 5 produtos que devem encarecer nos EUA com tarifas de Trump

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade