O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que indica a inflação oficial do Brasil, registrou alta de 0,56% em março, de acordo com dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira, 11 de abril. O resultado marca uma desaceleração em relação a fevereiro, quando o índice havia subido 1,31%, a maior variação para o mês desde 2003.
Inicialmente, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) havia informado que o avanço de março era o maior desde 2003, mas corrigiu a informação: trata-se, na verdade, da maior variação para um mês de março desde 2023.
No acumulado de 2025, o IPCA já soma alta de 2,04%. Considerando os últimos 12 meses, a inflação alcançou 5,48%, superando os 5,06% registrados no período imediatamente anterior. A variação de março ficou exatamente dentro da expectativa do mercado, que previa um avanço de 0,56%, conforme pesquisa da Reuters.

A redução no ritmo da inflação foi puxada principalmente pelo alívio nas tarifas de energia elétrica, após o fim da influência do bônus de Itaipu, que havia pressionado o índice em fevereiro. Porém, o grupo Alimentação e Bebidas seguiu como fonte de preocupação, representando sozinho, 45% da inflação do mês, com alta de 1,17%, acima dos 0,70% de fevereiro.
Os destaques ficaram para o tomate, que disparou 22,55%, o ovo de galinha, com alta de 13,13%, e o café moído, que subiu 8,14%. Esses três itens, juntos, responderam por cerca de um quarto da inflação de março. Segundo Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IBGE, a colheita antecipada do tomate, devido ao calor excessivo no verão, reduziu a oferta em março e pressionou os preços.
Já o aumento dos ovos foi atribuído ao encarecimento do milho, principal componente da ração das aves, além da elevação da demanda durante a Quaresma. No caso do café, o IBGE apontou uma forte influência da quebra de safra no Vietnã e de problemas climáticos na produção interna, que levaram o produto a acumular uma impressionante alta de 77,78% nos últimos 12 meses.
A disparada dos preços dos alimentos também chamou a atenção do governo federal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, manifestaram preocupação, especialmente em relação ao preço dos ovos. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações brasileiras de ovos cresceram 57,5% em fevereiro, impulsionadas pela demanda dos Estados Unidos, país que enfrenta um surto de gripe aviária que já dizimou cerca de 170 milhões de aves desde 2022.


