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Rússia volta a comprar frango do Brasil, mas mantém embargo ao RS

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A Rússia decidiu flexibilizar, de forma parcial, a suspensão que havia imposto às importações de carne de frango do Brasil. Agora, o país permite a compra de frango de produtores localizados fora do estado do Rio Grande do Sul.

A decisão foi confirmada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) nesta quarta-feira, 21 de maio, e aconteceu depois de reuniões técnicas entre especialistas de saúde animal dos dois países. O objetivo desses encontros foi revisar os procedimentos de segurança para garantir que as exportações ocorram sem riscos sanitários.

Mais de 30 países ou blocos econômicos impuseram suspensões temporárias às importações de carne de frango do Brasil após a confirmação do foco de influenza aviária no Rio Grande do Sul |Foto: Reprodução/Wikimedia

Além da Rússia, outros países — Belarus, Armênia e Quirguistão — também decidiram adotar um bloqueio regionalizado. Ou seja, suspenderam apenas as importações provenientes da região onde foi registrado o foco da doença, e não de todo o Brasil. Esses foram os primeiros países a flexibilizar as restrições, que começaram após a confirmação de um caso de influenza aviária (gripe aviária) em uma granja comercial localizada no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul, a cerca de 60 quilômetros de Porto Alegre, capital do estado.

O governo brasileiro recebeu a decisão de forma positiva. Segundo especialistas do Mapa, a rápida aceitação da ideia de regionalizar as restrições e o controle eficiente do foco da doença reforçam a credibilidade do Brasil nas negociações com outros mercados que ainda mantêm barreiras. O país quer mostrar que consegue agir com rapidez e segurança, adotando medidas sanitárias eficazes.

Também nesta quarta-feira, os Emirados Árabes Unidos anunciaram uma restrição específica: suspenderam apenas as compras de carne de frango vindas de Montenegro, mantendo a permissão para importações de outras regiões do Brasil. O governo considera esse tipo de decisão um avanço, pois evita a suspensão total das exportações.

Resposta do governo

O governo brasileiro avalia que, mesmo com a confirmação do vírus em uma criação comercial, o país já estava preparado para essa situação. A influenza aviária não é um problema novo e já foi identificada em vários continentes, como Ásia, África e Europa. Apenas em 2025, por exemplo, mais de 200 casos foram registrados em diferentes países, o que mostra que se trata de uma questão mundial.

No Brasil, o vírus já havia sido encontrado antes, mas apenas em aves silvestres e de subsistência, ou seja, aquelas criadas para o consumo próprio das famílias. Por isso, o Ministério da Agricultura considerava provável que, em algum momento, o vírus também aparecesse em uma granja comercial, como acabou acontecendo.

Desde 2023, o governo brasileiro vem tomando medidas de prevenção e firmou acordos com diversos países para adotar o chamado “modelo de regionalização”. Esse modelo permite que, em caso de surtos localizados, as exportações possam continuar a partir de regiões onde não há risco. O acordo com o Japão, por exemplo, foi concluído em março, após meses de conversas.

Países que ainda mantêm restrições

Atualmente, mais de 30 países ou blocos econômicos impuseram suspensões temporárias às importações de carne de frango do Brasil após a confirmação do foco de influenza aviária no Rio Grande do Sul. Algumas dessas suspensões são totais, enquanto outras limitam-se apenas aos produtos vindos do estado ou mesmo do município de Montenegro.

Entre os países que suspenderam totalmente as importações estão China, União Europeia, México, Iraque, Coreia do Sul, Chile, África do Sul, União Euroasiática, Peru, Canadá, República Dominicana, Uruguai, Malásia, Argentina, Timor-Leste, Marrocos, Bolívia, Sri Lanka, Paquistão, Filipinas e Jordânia.

Outros nove países escolheram restringir apenas as compras oriundas do Rio Grande do Sul: Reino Unido, Bahrein, Cuba, Macedônia, Montenegro, Cazaquistão, Bósnia e Herzegovina, Tajiquistão e Ucrânia. Já Japão e Arábia Saudita limitaram as importações apenas aos produtos de Montenegro. Essas decisões mostram uma tendência internacional de aplicar bloqueios mais localizados, em vez de suspensões nacionais.

O Brasil é atualmente o maior exportador mundial de carne de frango, responsável por cerca de 40% de todas as exportações desse produto no mundo, sendo um dos principais fornecedores de mercados importantes em vários continentes.

Na terça-feira, 20 de maio, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que alguns países, como a China, não aceitarão cargas que já estavam a caminho quando o surto foi confirmado em Montenegro. Isso gerou preocupação entre os exportadores brasileiros.

Essa situação cria desafios logísticos para grandes empresas do setor, como BRF e JBS, que agora enfrentam incertezas sobre quanto tempo as restrições vão durar e como isso pode afetar os negócios.

O Ministério da Agricultura informou que continua em contato com as autoridades de saúde animal dos países importadores. O governo afirma que está enviando rapidamente todas as informações técnicas necessárias para comprovar que a carne de frango brasileira é segura e, assim, tentar garantir a retomada completa das exportações o mais breve possível.

Leia também: Baixas nas exportação e queda de preços; entenda os efeitos da gripe aviária

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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