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Setor de serviços sobe 2,4% no 1º trimestre de 2025, aponta IBGE

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O setor de serviços no Brasil registrou crescimento de 0,3% em março de 2025 na comparação com o mês anterior, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 14 de maio, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com esse desempenho, o setor acumula avanço de 1,2% no bimestre fevereiro-março e fecha o primeiro trimestre do ano com crescimento de 2,4% em relação ao quarto trimestre de 2024.

Setor de serviços cresce 2,4% no 1º trimestre de 2025, aponta IBGE
Entre os estados com maior crescimento, destaca-se o Distrito Federal (6,5%), Santa Catarina (4,8%), São Paulo (3,5%) e Rio de Janeiro (3,2%) |Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Em uma análise mais ampla, o volume de serviços prestados no país apresentou alta de 1,9% em comparação com março de 2024. Trata-se do 12º mês consecutivo de resultados positivos nessa base de comparação anual. Já no acumulado dos últimos 12 meses encerrados em março, o crescimento é de 3%, indicando uma trajetória consistente de recuperação e expansão do setor.

Outro dado de destaque é que o volume atual de serviços continua 16,9% acima do patamar registrado em fevereiro de 2020, período imediatamente anterior à pandemia da Covid-19. Ao mesmo tempo, o setor permanece apenas 0,5% abaixo do recorde da série histórica, alcançado em outubro de 2024.

Desempenho por segmento: tecnologia impulsiona crescimento

Entre os principais vetores do crescimento no início de 2025, o segmento de informação e comunicação se destacou com uma alta expressiva de 6,7% no primeiro trimestre. Segundo o IBGE, esse desempenho foi impulsionado principalmente pela expansão das receitas de empresas voltadas à tecnologia da informação, incluindo portais de conteúdo digital, serviços de hospedagem de sites, provedores de internet, além de companhias especializadas no desenvolvimento de softwares sob encomenda.

Outros segmentos também contribuíram positivamente para o avanço trimestral. Os serviços profissionais, administrativos e complementares cresceram 1,9%, refletindo a maior demanda por consultorias, serviços de apoio empresarial e atividades jurídicas.

O setor de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio registrou alta de 1,0%, puxada principalmente pelo transporte terrestre e aéreo. Já os serviços prestados às famílias, que incluem atividades como hospedagem, alimentação e lazer, tiveram expansão de 1,5%, em linha com a retomada do consumo presencial.

Por outro lado, o único grupo que exerceu influência negativa no trimestre foi o de “outros serviços”, que encolheu 1,8%. Essa categoria abrange uma variedade de atividades, como serviços financeiros não bancários e manutenção de imóveis, e sua queda pode estar relacionada à redução temporária de investimentos em serviços menos essenciais.

Análise mensal: resultados mistos entre os grupos

Na variação mensal de março frente a fevereiro, três dos cinco grandes grupos pesquisados apresentaram avanço: transportes (1,7%), serviços prestados às famílias (1,5%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (0,6%). Já o setor de informação e comunicação recuou levemente (-0,2%), após ter acumulado crescimento expressivo de 3,8% entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025. A retração, embora discreta, pode indicar uma acomodação após meses de forte expansão. O grupo de “outros serviços” também manteve trajetória de queda.

Turismo recua, mas mantém nível elevado

O índice de atividades turísticas apresentou recuo de 0,2% em março, interrompendo a sequência de crescimento observada em fevereiro, quando o setor havia avançado 2,7%. Mesmo com a queda pontual, o turismo ainda opera 9,2% acima do nível registrado antes da pandemia e apenas 3,9% abaixo do pico da série histórica, alcançado em dezembro de 2024.

No acumulado do primeiro trimestre de 2025, o setor turístico cresceu 5,4%. O desempenho foi impulsionado principalmente pela alta nas receitas de transporte aéreo de passageiros, serviços de reservas, hospedagens e estabelecimentos de alimentação fora do lar, como bares e restaurantes.

Desempenho regional: maioria dos estados em alta

A expansão do setor de serviços foi observada em 19 das 27 unidades da federação. Entre os estados com maior crescimento, destaca-se o Distrito Federal (6,5%), Santa Catarina (4,8%), São Paulo (3,5%) e Rio de Janeiro (3,2%). Nessas localidades, o bom desempenho esteve associado, sobretudo, à recuperação de serviços ligados à tecnologia, transporte e alimentação.

Na outra ponta, o Rio Grande do Sul teve a queda mais expressiva entre as unidades federativas, com retração de 11%. Segundo o IBGE, fatores regionais como eventos climáticos adversos e menor dinamismo em setores estratégicos explicam o recuo.

Perspectivas para o setor

O setor de serviços representa cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e é fortemente influenciado pela confiança do consumidor, pelo comportamento do mercado de trabalho e pelo ritmo da atividade econômica na totalidade. Os dados do primeiro trimestre de 2025 reforçam a importância do setor na sustentação da economia nacional, especialmente em um contexto de transformação digital e recuperação do consumo presencial.

Especialistas apontam que, mesmo com oscilações pontuais, a tendência de crescimento deve continuar nos próximos meses, apoiada na digitalização, na retomada de atividades presenciais e na maior demanda por serviços especializados. O desafio, no entanto, está em manter a trajetória de expansão em um cenário ainda marcado por incertezas econômicas globais e possíveis variações na política monetária interna.

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Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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