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Conflito no Oriente Médio pressiona mercados e encarece petróleo

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A nova escalada no conflito entre Irã e Israel desencadeou uma série de efeitos imediatos nos mercados globais, com impactos diretos no bolso dos brasileiros. Na madrugada da quinta-feira, 12 de junho, Israel lançou uma ofensiva militar contra o Irã, atingindo alvos estratégicos como cientistas nucleares e altos oficiais militares. Como consequência, os preços do petróleo dispararam mais de 9%, e as bolsas mundiais recuaram — incluindo reflexos no câmbio e no custo de vida no Brasil.

O ataque, considerado unilateral pelas autoridades americanas, gerou reações fortes no Irã, que prometeu retaliação. Com isso, os investidores internacionais passaram a buscar ativos mais seguros, como o ouro e o dólar, e a se desfazer de ativos de maior risco, como ações e moedas de países emergentes — entre eles, o Brasil.

O conflito entre Irã e Israel não é apenas uma questão diplomática distante — ele afeta diretamente o bolso de milhões de brasileiros| Foto: Reprodução/ Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency)
O conflito entre Irã e Israel não é apenas uma questão diplomática distante — ele afeta diretamente o bolso de milhões de brasileiros| Foto: Reprodução/ Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency)

Petróleo dispara mais de 9% e afeta o preço dos combustíveis

Os preços do petróleo tipo Brent chegaram a ultrapassar os US$ 78 o barril na manhã de sexta-feira (13), antes de recuar para US$ 74,40, uma alta de 7% em relação ao fechamento anterior. Já o petróleo WTI, referência dos Estados Unidos, subiu 7,5%, chegando a quase US$ 73,20.

Com a cotação do dólar em torno de R$ 5,35 (dados de 13 de junho), o valor do barril do Brent em reais é de aproximadamente R$ 397, um acréscimo de quase R$ 37 em poucos dias. Esse aumento tende a pressionar os preços dos combustíveis no Brasil, especialmente o diesel e a gasolina, que são atrelados à cotação internacional do petróleo.

Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), um reajuste de R$ 0,20 a R$ 0,30 por litro pode ocorrer nas próximas semanas, a depender da manutenção do cenário de conflito. Isso afeta diretamente o transporte e, por consequência, os preços de produtos básicos, aumentando a inflação.

Dólar em alta e efeitos na inflação

Além da valorização do petróleo, o dólar também disparou, refletindo a busca dos investidores por segurança. A moeda americana subiu 1,8% e chegou a ser negociada a R$ 5,43 no pico do dia. Essa alta encarece produtos importados e impacta a inflação brasileira, já pressionada por outros fatores.

Itens como eletrônicos, medicamentos e até alimentos que dependem de insumos externos tendem a ficar mais caros. Segundo o economista-chefe do banco Modalmais, Eduardo Neves: “se o conflito se prolongar e houver novas sanções ou restrições ao Irã, é possível que o petróleo ultrapasse os US$ 85, o que elevaria ainda mais o dólar e os preços no Brasil”.

Leia também: Israel ataca Irã com mais de 100 bombardeios aéreos diretos

Com o conflito, as bolsas amanheceram em queda e impactou diretamente os investimentos

A insegurança provocada pelo conflito também afetou os mercados acionários. Os futuros das bolsas americanas recuaram mais de 1% e o Ibovespa, principal índice da B3, caiu 1,6% no fechamento de sexta-feira, 13 de junho, refletindo o nervosismo dos investidores.

Empresas dos setores de aviação, turismo e varejo foram as mais penalizadas. Ao mesmo tempo, ações ligadas ao setor de energia, como Petrobras, registraram alta de até 3%, puxadas pelo aumento do petróleo.

Para quem investe, o momento exige cautela. Segundo a analista de investimentos Júlia Fonseca, da Levante Investimentos, “a diversificação da carteira é essencial agora. Investidores mais conservadores podem considerar fundos cambiais ou de ouro como forma de proteção”.

Instabilidade prolongada pode piorar o cenário

A possibilidade de retaliação iraniana, já anunciada por autoridades locais, preocupa o mercado. Um prolongamento do conflito pode manter os preços do petróleo em patamares elevados e aumentar ainda mais a volatilidade dos ativos financeiros.

Além disso, a suspensão das negociações nucleares entre EUA e Irã, que aconteceriam em Omã, indica uma deterioração no diálogo diplomático, o que tende a acirrar ainda mais os ânimos. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, já alertou que os cidadãos devem se preparar para “períodos mais longos em abrigos antiaéreos”, reforçando o clima de instabilidade.

Como proteger seu dinheiro nesse cenário?

Diante desse contexto, a recomendação dos especialistas é:

  • Evite decisões impulsivas: mantenha a calma e revise sua carteira de investimentos com foco em diversificação.
  • Fique de olho no câmbio: quem tem gastos em dólar ou pretende viajar para o exterior deve considerar antecipar compras ou adquirir moeda aos poucos.
  • Atenção aos combustíveis: se possível, abasteça antes de novos reajustes nos postos.
  • Proteja o poder de compra: evite dívidas em tempos de inflação e tente reservar parte da renda para emergências.

O conflito entre Irã e Israel não é apenas uma questão diplomática distante — ele afeta diretamente o bolso de milhões de brasileiros. Seja pelo preço dos combustíveis, pelo custo de vida ou pelos investimentos, os desdobramentos desse embate geopolítico devem ser acompanhados com atenção. A volatilidade nos mercados mostra como o mundo está interconectado, e como eventos a milhares de quilômetros podem ter reflexos imediatos na economia brasileira.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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