IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%
Ao vivo

Agora Tem Especialistas para atender mais e melhor

Por

·

Não estava presente na apresentação feita em Brasília pelo presidente Lula e pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Mas, por ter passado um tempo dedicada ao SUS e por conhecer de perto as necessidades do povo brasileiro na área da saúde, recebi com imensa alegria a criação do programa “Agora Tem Especialistas”.

Conversei com um, com outro, e ninguém quis emitir uma opinião sobre a novidade. Percebi uma certa desconfiança no ar. Logo me perguntei: agora tem especialistas… por que antes não tinha? Bom, o programa propõe o investimento de bilhões de reais entre junho e outubro deste ano. Vou tentar destrinchar os pontos que mais chamaram a minha atenção.

A meta do Programa Agora Tem Especialistas é diminuir as filas no SUS para consultas, exames e cirurgias | Foto: Reprodução/Walterson Rosa
A meta do Programa Agora Tem Especialistas é diminuir as filas no SUS para consultas, exames e cirurgias | Foto: Reprodução/Walterson Rosa

Qual é a meta do “Agora Tem Especialistas”? Atender mais e melhor. De que maneira? Primeiro, formando e aprimorando novos médicos especialistas, ofertando milhares de bolsas de residência médica em áreas prioritárias e dando emprego a esses profissionais. Para isso, o governo fala em um investimento de R$ 260 milhões, já a partir deste mês.

O Ministério da Saúde também assume o compromisso de fortalecer a Atenção Primária, tão crucial dentro da rede, com um maior número de consultas especializadas agendadas eletronicamente, por meio do E-SUS, integrando o Mais Médicos com o Agora Tem Especialistas e criando uma rede de voluntários do câncer. Mas isso só será possível com a compra de novos equipamentos — que espero sinceramente que aconteça — e com manutenção constante.

Por que esse olhar diferenciado para o câncer?

Porque os números são preocupantes. Levantamento do Instituto Nacional de Câncer (INCA) revela que, em 2023, houve um aumento de 37% nos custos com o agravamento dos casos por desassistência. Pacientes das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste percorrem entre 210 e 870 km para realizar o tratamento. E mais: o Brasil ainda precisa ampliar em 67% a cobertura de biópsias de câncer de mama.

Com o apoio do INCA e do Hospital AC Camargo — dois gigantes no combate ao câncer —, o governo fala na criação de um Super Centro Brasil para diagnóstico, teleconsultoria, telelaudos e telepatologia, com capacidade de emitir até 1.000 laudos por dia e atender mais de 72.600 novos pacientes por ano.

Uma das soluções está na ampliação da oferta de Telessaúde — inclusive, defendi essa possibilidade recentemente aqui no Super Finanças. Acho que o governo me ouviu.

O avanço talvez esteja na forma de realizar. A proposta inclui parcerias com o SESI, editais voltados à iniciativa pública e privada, e uma injeção de R$ 200 milhões do Proadi-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS). Também está prevista a distribuição de kits de Telessaúde para as UBSs. Aqui cabe aquela máxima: “não dá para tirar leite de pedra sem ter a pedra”.

Essa eu aprovo!

Quem deve, um dia vai ter de pagar. Assim, o governo propõe que os caloteiros troquem suas dívidas por serviços prestados ao SUS. Estamos falando de planos de saúde, hospitais privados e até instituições filantrópicas. Vamos acompanhar de perto a adesão a esse chamado “ressarcimento gentil”.

Como disse Milton Nascimento, “o artista tem de ir aonde o povo está”. Acredito que a saúde também. Por isso, o programa vai desembolsar R$ 1 bilhão para colocar na estrada 150 carretas equipadas para a realização de consultas, exames e cirurgias nas áreas de oftalmologia, otorrino, cardiologia e ginecologia, com a promessa de chegar às áreas remotas e territórios indígenas.

Estão juntos nessa empreitada o Grupo Hospitalar Conceição (a maior rede pública de hospitais do Sul do país), a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) e a Força Nacional do SUS, que atua em situações emergenciais de saúde pública.

A frota também deve crescer com a aquisição de ambulâncias, vans e micro-ônibus. A estimativa é beneficiar até 1,2 milhão de pacientes por mês. E com prioridade para pessoas com câncer.

Transparência e direito de voz

Mais uma inovação: serão instalados painéis de monitoramento em 3.816 municípios de 25 estados. E o principal interessado em todas as mudanças — o cidadão — poderá avaliar o atendimento. Sério?

O governo diz que sim, por meio do OuvSUS. Ligou, reclamou. Tomara que funcione. O mesmo vale para o app Meu SUS Digital, que será usado para envio de mensagens sobre agendamentos e atendimentos. E também para o WhatsApp, que poderá ser utilizado no pós-consulta, cirurgia ou tratamento.

Se não conseguir falar com Deus, fale com o Papa. Se nenhuma dessas ferramentas funcionar, recomendo enviar uma carta ou bater à porta do Ministério da Saúde, do Conass, do Conasems, do Comitê Técnico de Acompanhamento do Programa ou da Rede Nacional de Apoiadores do Agora Tem Especialistas.

E que fique bem claro: a saúde é um direito garantido pela Constituição brasileira. E nós estamos de olho.

Sobre o autor Livia Calmon

Jornalista com passagens pelas redações da TV Globo — São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Minas Gerais e Bahia —, da TV Record SP, Band SP e revista IstoÉ Gente. Produtora de Conteúdo de Campanhas Políticas e estudiosa da área da saúde

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade