Em meio às crescentes tensões no Oriente Médio, especialmente com os recentes ataques entre Irã e Israel, o poder militar iraniano voltou ao centro das atenções internacionais. Mas afinal, o que significa estar entre as 20 maiores forças armadas do planeta? E quais são suas capacidades de ataque?
Segundo o ranking Global Firepower de 2025, o Irã ocupa a 16ª posição entre os países com maior poder militar do mundo. Esse ranking leva em consideração dezenas de fatores, como número de soldados, armas, aviões, tanques, navios e até a geografia e economia do país.

Quantos soldados o Irã tem?
O Irã tem cerca de 545 mil soldados ativos, ou seja, militares que estão atualmente trabalhando nas forças armadas. Além disso, conta com mais 350 mil reservistas, pessoas treinadas para atuar em caso de guerra, o que eleva o número total de militares treinados para quase 900 mil.
Essa força se divide entre dois grandes grupos: o Exército Regular (chamado de Artesh) e a Guarda Revolucionária Islâmica, conhecida como IRGC. Enquanto o Exército foca na defesa tradicional, a Guarda Revolucionária tem papel estratégico, incluindo missões no exterior, guerra cibernética e controle de milícias aliadas em países como Síria, Líbano e Iraque.
Equipamentos militares
Mesmo não sendo um país com tecnologia militar de ponta como os Estados Unidos, o Irã tem um número significativo de equipamentos de guerra. São mais de 1.900 tanques de combate, veículos blindados que se movem sobre trilhos e são equipados com canhões pesados. Muitos desses tanques são modelos mais antigos, mas ainda representam um poder de fogo considerável.
Na Força Aérea, possui aproximadamente 550 aeronaves, incluindo caças, aviões de transporte e helicópteros. A maioria desses aviões é da década de 1970 ou 1980, como os modelos F-4, F-5 e F-14, que foram adquiridos antes da Revolução Islâmica de 1979. Ainda assim, o país tem conseguido mantê-los em funcionamento, com peças fabricadas localmente ou obtidas de forma clandestina.
Já na Marinha, o país conta com cerca de 100 embarcações, incluindo submarinos, corvetas e lanchas rápidas. O foco da marinha iraniana está mais no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, por onde passa uma grande parte do petróleo mundial.
Mísseis: a principal arma iraniana
O verdadeiro ponto forte do Irã está no seu arsenal de mísseis. O país investiu pesadamente no desenvolvimento de mísseis balísticos e de cruzeiro — armamentos que podem ser lançados de terra e voar por centenas ou até milhares de quilômetros para atingir seus alvos.
Entre os modelos mais conhecidos estão:
- Fateh-110: com alcance de 300 km
- Fateh-313: pode atingir até 500 km
- Kheibar Shekan: alcança 1.500 km
- Sejjil: com alcance de 2.000 km
- Somar: míssil de cruzeiro com até 3.000 km de alcance
Isso significa que o Irã pode atingir alvos em países como Israel, Arábia Saudita e até partes do sul da Europa, dependendo do tipo de míssil usado.
Nos últimos anos, o país também se destacou pelo desenvolvimento de drones militares, que são aviões não tripulados. Eles podem ser usados para espionagem, bombardeios ou ataques kamikaze (quando o próprio drone se explode no alvo). Muitos desses modelos têm alcance de até 2.000 km, sendo exportados para grupos aliados e até utilizados em conflitos por países como a Rússia.
Capacidade cibernética e guerra assimétrica
O país também tem se preparado para outro tipo de conflito: a guerra cibernética. Isso inclui ataques de hackers contra sistemas de energia, bancos ou sites governamentais de outros países. O IRGC possui um comando próprio para esse tipo de operação, que vem sendo usado para espionagem e sabotagem digital.
Essa estratégia faz parte do que os especialistas chamam de guerra assimétrica — quando um país usa métodos alternativos para compensar a inferioridade tecnológica ou militar frente a potências maiores. Em vez de enfrentar inimigos com tanques ou aviões modernos, o Irã aposta em mísseis, drones, aliados regionais e ataques cibernéticos.
Mesmo sem ter a tecnologia de países como os EUA ou Israel, o país construiu uma força militar capaz de causar danos significativos a seus rivais. Com grande número de soldados, um arsenal de mísseis de longo alcance e uso estratégico de drones e ciberataques, o país é hoje uma das potências mais relevantes do Oriente Médio.
Esse poder se torna ainda mais importante diante dos conflitos atuais e das possíveis escaladas militares na região.


