Expectativas para o restante do ano
A pesquisa de expectativas do mercado, publicada pelo Banco Central da Argentina no início de junho, projeta um crescimento de 5,2% no PIB em 2025, consolidando o país em trajetória positiva. A taxa, se confirmada, representará a maior expansão desde 2021 e poderá reforçar a credibilidade da equipe econômica de Milei.
Contudo, analistas alertam para a fragilidade da recuperação, que ainda depende de variáveis externas, como os preços das commodities e a estabilidade cambial. A manutenção da confiança dos investidores estrangeiros e a gestão do endividamento público também são fatores determinantes para o desempenho ao longo do ano.
O que isso representa para o Brasil?
O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, especialmente nos setores automobilístico e de máquinas industriais. Com a retomada econômica no país vizinho, espera-se um aumento nas exportações brasileiras para o mercado argentino, o que pode beneficiar empresas nacionais.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o Brasil exportou cerca de US$ 2,3 bilhões para a Argentina nos primeiros quatro meses de 2025, o equivalente a aproximadamente R$ 12,6 bilhões, considerando a cotação média do dólar de R$ 5,48 no período. Se a recuperação argentina se mantiver, a expectativa é de que esse valor cresça até o fim do ano.
O crescimento de 0,8% no PIB da Argentina no primeiro trimestre de 2025, com alta anual de 5,8%, mostra sinais de que o país pode estar saindo do ciclo recessivo que o afetou duramente em 2024. A combinação entre austeridade fiscal, melhora no comércio exterior e controle inflacionário começa a dar resultados. No entanto, o sucesso dessa trajetória dependerá da capacidade do governo em conciliar ajustes econômicos com estabilidade social e da continuidade de reformas estruturais.
A economia argentina está em uma encruzilhada: pode consolidar sua recuperação ou voltar à instabilidade, dependendo do equilíbrio entre política, sociedade e mercado.


