Capacidade de geração não acompanha o crescimento da demanda
Nos últimos anos, o consumo de energia elétrica no Brasil aumentou, impulsionado principalmente pela popularização dos aparelhos de refrigeração e pela ampliação da rede de fornecimento. Ao mesmo tempo, a matriz elétrica brasileira passou a contar com uma participação cada vez maior da energia solar — considerada uma fonte limpa e sustentável, mas que apresenta limitações importantes.
A geração solar funciona apenas durante o dia, enquanto os picos de consumo ocorrem no fim da tarde e início da noite. Isso significa que, justamente quando a demanda atinge o seu ponto mais alto, essa fonte não está mais disponível. Além disso, o crescimento da energia solar residencial, feita por pequenos consumidores, não é programado nem controlado pelo sistema, o que dificulta o planejamento da distribuição e da geração.
Outro fator que agravou o cenário foi a ausência de novos leilões para contratação de reserva de capacidade em 2025. Esses leilões são mecanismos usados pelo governo para garantir que existam usinas capazes de fornecer energia suficiente em horários de pico.
Segundo o diretor de planejamento do ONS, Alexandre Zucarato, o órgão recomendou ao Ministério de Minas e Energia que realizasse leilões anuais a partir de 2021. No entanto, para 2025, nenhum leilão foi realizado, o que deixou o sistema ainda mais vulnerável.


