Um novo golpe envolvendo compras online tem deixado consumidores em alerta. A fraude, que se espalhou rapidamente nas últimas semanas, utiliza dados reais de clientes para aplicar cobranças falsas por meio de mensagens no WhatsApp.
Após o cliente realizar uma compra, especialmente de produtos internacionais, ele recebe uma mensagem de um número desconhecido. O texto afirma que há uma taxa pendente, supostamente cobrada pela Receita Federal, que precisa ser paga para liberar a entrega do pedido. O criminoso se apresenta como representante da transportadora ou da própria loja, tentando convencer a vítima a realizar o pagamento.

O que torna esse golpe ainda mais perigoso é o nível de detalhamento das informações utilizadas. As mensagens incluem nome completo, CPF, e-mail, endereço de entrega, descrição do produto e até mesmo um código de rastreio funcional, que mostra a movimentação real da encomenda. Essa precisão faz com que muitos consumidores acreditem que estão lidando com um contato legítimo.
Em alguns casos, a abordagem acontece menos de 24 horas após o início da movimentação do produto. A rapidez na ação dos golpistas indica que eles têm acesso a dados atualizados e sensíveis, o que levanta suspeitas sobre possíveis falhas de segurança nas plataformas envolvidas.
Além da primeira mensagem, há relatos de uma segunda tentativa de contato, feita por outro número de celular. Nessa abordagem, os criminosos repetem a alegação de que há uma taxa a ser paga, mas usam menos dados pessoais. Mesmo assim, a estratégia continua sendo convincente, especialmente para quem já está esperando a entrega de um produto.
Como se proteger de golpes em compras online
Diante da gravidade da situação, é recomendada atenção redobrada por parte dos consumidores. A principal orientação é nunca realizar pagamentos fora das plataformas oficiais, mesmo que a mensagem pareça confiável ou contenha dados pessoais. Golpistas costumam usar informações reais para conferir credibilidade à fraude. Caso o consumidor receba mensagens suspeitas, o ideal é ignorar, não clicar em links, não baixar arquivos e jamais fornecer dados bancários, senhas ou documentos.
Se a pessoa já tiver realizado o pagamento, é importante agir rapidamente para tentar minimizar os prejuízos. O primeiro passo é entrar em contato com o banco ou operadora do cartão de crédito e solicitar o bloqueio ou estorno do valor. O chamado chargeback é um mecanismo que permite contestar compras fraudulentas e pode ser solicitado diretamente à instituição financeira, desde que o cliente apresente provas da fraude.
Outra medida essencial é registrar um boletim de ocorrência, reunir todas as evidências digitais — como registros de tela das mensagens, comprovantes de pagamento, dados do anúncio e informações do vendedor — e comunicar a plataforma onde a compra foi realizada. Essas ações ajudam na investigação, fortalecem a denúncia e aumentam as chances de recuperação do dinheiro perdido. Além disso, alertam as empresas envolvidas sobre possíveis falhas de segurança.
Empresas também têm responsabilidade pela segurança dos dados
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) também pode ser aplicada nesses casos. Ela exige que empresas adotem medidas de segurança para proteger as informações dos usuários. Isso inclui monitoramento de acessos internos, auditorias regulares e controle sobre quem tem acesso aos dados dos clientes. Se houver falhas nesse processo, a empresa pode ser responsabilizada.
Para evitar cair em golpes como esse, é essencial verificar a origem das mensagens, desconfiar de cobranças inesperadas e manter os dados pessoais protegidos. A internet oferece muitas facilidades, mas também exige cuidado. Com atenção e informação, é possível fazer compras online com mais segurança e evitar prejuízos.


